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Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

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Entrevista a Manuel Isaías Alexandrino

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Manuel Isaías Alexandrino, terceiro classificado na categoria Poesia na 1ª Edição dio Prémio Literário "Do Mosto à Palavra", 65 anos, solicitador, natural da aldeia de Penedo Gordo (Beja) residente em Beja. Gosta de ler, muito, essencialmente romances.Poesia pouco lê, prefere criá-la. Afirma que sofre exageradamente de preguiça, na utilização do eufemismo para desinspiração duradoura. Fazer versos, para Manuel Isaías, dá trabalho: "Claro que gostaria de um dia completar a trilogia «fazer um filho (tenho dois), plantar uma árvore (tenho duas no meu quintal) e escrever um livro»..."

 

 

1 - Consagrou-se, nesta que foi a primeira edição do Prémio Literário "Do Mosto à Palavra", um dos três primeiros classificados na categoria poesia. Considera importante, no panorama literário atual, a existência de iniciativas do género? Qual o seu maior contributo para a comunidade criativa não mediática?  


 Antes de mais, porque nunca é de mais fazê-lo, e aqui por maioria de razão, dar os parabéns aos três parceiros por tão singular quanto importante iniciativa. E agradecer, muito. Primeiro, pela ideia; segundo, pelos resultados. Eu próprio - e quem sou eu? – não sonhei em vir a  ser premiado, e se por mera hipótese académica sonhasse com tamanha participação, nem ousaria sequer participar. Mas a realidade, não raras vezes, está um passo além do sonho, logo vale a pena sonhar. Sempre. Nem que seja para cair na real…como dizem os brasileiros.

 

Mas respondendo às questões…

 

Claro que considero importante iniciativas do género como a «Do Mosto à Palavra», independentemente até do «panorama literário actual», seja lá o que isso for. Nunca se publicou tanto como agora, e isso não é necessariamente mau. Antes pelo contrário. Se nem tudo é bom, ao menos podemos escolher, o que já não é mau. Eu sou do tempo – e lá estou eu a achar-me velho – em que quase só se publicavam os clássicos. E foi assim que comecei a ler e a gostar, e a só comprar, obras das literaturas russa e francesa e um pouco da portuguesa. Só muito recentemente, há uns anos, vá lá, condescendi, para meu grato prazer, aos novos autores portugueses. E temos autores muito bons, provavelmente alguns dos quais, antes de se tornarem conhecidos, andaram por concursos literários semelhantes. E para não ir mais longe, trago aqui à presença o nosso amigo e igualmente premiado na categoria de poesia, Jerónimo Jarmelo, com obra publicada na «nossa» (claro que é a nossa editora a partir de agora) Chiado Editora, que já li com especial deleite – não só por tê-lo conhecido pessoalmente, mas, sobretudo, por lhe reconhecer muito talento. A propósito, deixem-me dar esta imagem: a profusão de autores hoje está para a literatura como a miríade de marcas de vinhos alentejanos (só para falar dos nossos, os melhores) está para a arte vinícola – há que prová-los todos, especialmente os da Herdade da Figueirinha!

 

Salvo raras excepções, nem todos temos, individualmente considerados, ou o talento indispensável ou, tendo-o, a quantidade criativa suficiente, quer de poesia quer de prosa, para virmos a merecer o investimento de uma qualquer editora. Com iniciativas do género da nossa (desculpem-me a apropriação indevida da paternidade), cumprem-se assim dois desideratos: um – compilação dos «melhores» trabalhos, num só volume, logo de mais fácil aquisição, em dois géneros distintos de escrita, de «escritores menores», mas nem assim menos dignos, em estrita oposição aos autores consagrados; dois – dar a possibilidade de conhecer, ao público em geral e ao sul alentejano em particular, o que de melhor se faz, passe a imagem futebolística, num campeonato regional ou, se quisermos, numa divisão secundária. 

 

 

2- Uma vez recebidos mais de quatro centenas de originais, de qualidade superior, nas duas categorias, foi anunciado pela Chiado Editora a sua compilação numa obra que eternizará esta primeira edição, a Antologia "Do Mosto à Palavra". Simultaneamente, e por ter como inspiração suprema a temática Alentejo, poderá o seu conteúdo ser adjetivado de património cultural alentejano. Sendo natural do baixo alentejo, que significado tem para si esta compilação? 


 «…mais de quatro centenas de originais, de qualidade superior…», como se afirma, e não sou eu que o digo, que não me ficaria bem, nem me competiria fazê-lo, só reforça a feliz ideia que a culpada disto tudo – a hallpaxis – teve em levar a cabo, superiormente apadrinhada pela Chiado Editora e a Herdade da Figueirinha, o que se veio a revelar um sucesso literário à escala do Baixo Alentejo. Para felicidade de todos, muito bom seria que as vendas se derramassem muito para além dos autores, amigos e seus familiares, que já seriam bastantes se o conceito de amigos se vier a casar com o do Facebook. Cabe aqui agradecer a todos os participantes, mas muito especialmente àqueles que não tiveram a sorte – sim, porque para tudo é preciso ter uma pontinha de fortuna – de ver os seus trabalhos compilados. Sem eles, qual o mérito dos restantes? Um dia serão primeiros os derradeiros de hoje – eu sou disso uma prova viva.

 

Para mim é um orgulho, um orgulho bom, sadio, que gostaria de compartilhar com todos os concorrentes, premiados ou não, por saber que dezassete versos meus irão ser lidos por um pouco mais leitores do que a vintena de amigos e familiares que fazem o favor de ler o que muito amiúde lhes faço chegar, com muita transpiração e não menos penosidade. Nem que para tanto, qual Sócrates, tenha de comprar uma resma de exemplares…

 

Que esta compilação seja, enfim, para além da imodéstia de alguma vaidade pessoal por fazer dela parte, um tiro de partida para eventos similares no futuro e um hino ao Alentejo e à sua Alma. Ao Alentejo todo. Porque todo o Alentejo merece. Porque este Povo é demasiado grande para nele todo caber toda a Poesia deste Povo.

 

 3- Alentejo, vinho e poesia. Numa palavra, o que têm em comum? 


Numa palavra só, é o pináculo da síntese. Eu diria que, em comum, têm a palavra «amor» – amor pelo Alentejo, desmedidamente; amor ao vinho, com moderação; amor à poesia, desalmadamente!

 

 

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