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Entrevista a Nádia Duarte

 

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Nádia Duarte, terceira classificada na categoria Prosa na 1ª Edição do Prémio Literário "Do Mosto à Palavra",  natural de Lisboa, licenciada em Biologia, doutorada em imunologia e faço investigação na área da saúde.



1- A Nádia foi a terceira classificada, na categoria prosa, nesta que foi a primeira edição do Prémio Literário "Do Mosto à Palavra". Que significado tem, no seu percurso de vida, a literatura, nomeadamente a escrita? 

 

Vou tentar não escrever um tratado para responder a esta pergunta. É possível que saia um poema! Para mim, a literatura é uma necessidade vital que felizmente me dá um imenso prazer. Adoro ler, quando era pequena o meu sonho era ser leitora profissional. Há tantos livros geniais, tão importantes, o tempo é que, infelizmente, é tão insuficiente... Julgo que escrever é um efeito secundário da leitura. Tornou-se a minha maneira de ver o mundo, de o sentir, de o pensar e sobretudo, de o digerir. Ler e escrever são na verdade as minhas ferramentas para processar esta coisa que é existir. Em particular, escrever é ter um prazer enorme, e uma angústia proporcional, em dizer "aquilo" daquela maneira porque "aquilo" tem de ser dito daquela maneira e tem de ser dito porque se não o for inunda, alaga tudo à volta.

Vou parar por aqui.


2- Alentejo e vinho são inspirações para si? 

 

Sim. O Alentejo tem uma tonalidade perdida no tempo, como uma fotografia antiga em que nos maravilhamos com o rosto de familiares que nunca vimos. É pitoresco, mas merecia mais, em particular a margem esquerda do Guadiana. Espero que um dia a minha filha veja esta terra florescer como o meu avô sonhou durante tanto tempo. Espero que o vinho maravilhoso que aqui se faz contribua para esse futuro.


3- Culturalmente, o que considera ser um bom livro? 

 

Um bom livro tem de estar bem escrito obviamente, com uma linguagem que não trave a leitura, antes que seja usada como meio de transporte. Com os bons livros viajamos pelos mais diversos lugares, sejam eles acontecimentos reais ou totalmente ficcionados ou meras imagens que alguém sonhou e projectou numa sequência de palavras. Simultaneamente, aprendemos sobre nós próprios. Os bons livros tornam-se experiências pessoais porque permitem sentir e ver de alguma forma o que o escritor projectou e além disso, acrescentar a cor, a textura, os rostos etc. que nos passam pela cabeça.

4- Atentando no mercado literário atual, verifica-se que uma boa parte dos best-seller seguem a mesma linha orientadora, oferecendo ao leitor histórias com temáticas semelhantes dentro de campos de visão muito próximos. Numa era em que a "fábrica da escrita criativa" é um método muito utilizado pelos novos escritores, exisitindo diversos cursos na área, assiste-se a uma mudança considerável na forma de escrever para o leitor. Os críticos consideram-na uma escrita racional e parametrizada, raras vezes sentida e pouco original. E a Nádia, como encara o panorama atual? 

Na sequência da minha resposta à pergunta anterior, acho que não se escreve um bom livro sem honestidade. Se o escritor não sentir, dificilmente transmitirá qualquer coisa. O comboio não sai da gare. Não acredito em fábricas de arte e um bom livro é uma arte, é a forma de expressão do escritor. Se o livro não reflectir o lado humano do escritor, se não for o veículo daquela pessoa terá sempre um prazo de validade e um interesse limitado. Dito isto, frequentei cursos de escrita. Da minha experiência, há uma multidão de pessoas com amor aos livros e muita vontade de escrever e os cursos de escrita como os que frequentei, proporcionam sobretudo momentos de partilha e oportunidade de realização de projectos pessoais. "Plantar uma árvore, fazer um filho, escrever um livro." A questão da partilha teve um impacto muito positivo na minha vida e acho que não deve ser desvalorizado. Independentemente dos cursos de escrita que se façam, há escritores com mais para dar e outros com mais limitações e dentro de uns e de outros, uns de quem se gosta mais e outros de quem não se gosta tanto. Em suma, uma boa história pode ser suficiente para um best seller porque desperta a curiosidade em mais gente, mas não é sinónimo de bom livro. Nenhuma fórmula substituirá a qualidade mágica da criação.

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