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Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

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Entrevista a Vasco Ribeiro

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Vasco Duarte Ribeiro, segundo classificado na categoria prosa na 1ª Edição do Prémio Literário "Do Mosto à Palavra", nasceu em Lisboa. Aos cinco anos escreve e ilustra o primeiro livro de poemas. Seguem-se alguns contos e a ilustração desenhada das histórias e personagens.
Premiado em alguns concursos de literatura, desenho e pintura, no tempo de liceu é-lhe oferecida uma sala para atelier. Escreve, desenha e pinta.
Publica artigos e poemas e faz algumas exposições no meio académico e ilustrações para jornais e revistas, nomeadamente caricatura e banda desenhada.
Conotado com a oposição ao antigo regime, parte cedo para o estrangeiro. Viveu nos Estados Unidos, na Suécia, na Suíça e, nos últimos anos, em Paris.
Com formação académica em Economia, Direito e Psicologia, dedicou grande parte da sua actividade, a par de uma eclética vida profissional, ao estudo interdisciplinar das formas de expressão filosófica, política, social, cultural e artística das sociedades. Consultor da American Academy of Arts and Sciences.
No final do século, de regresso a Portugal, dedica-se definitivamente à arte e à produção de poesia, romances e ensaios literários e históricos.
O próprio autor define o fundamento da sua obra: “é nas letras e na arte, na verdadeira expressão da natureza das coisas e das gentes, que o exercício pleno da liberdade reside; sem estilos ou doutrina. Tão-só.”
Para um olhar mais profundo e demorado sobre o autor e artista, assim como sobre as suas obras e exposições, poderá consultar o site oficial.

 


1- “Do Mosto à Palavra”, enquanto evento literário, teve a particularidade de conseguir chegar mais próximo dos seus participantes, num evento cuja atmosfera informal permitiu um convívio directo entre as partes. Considera importante a existência de mais iniciativas do género? Que valores retira desta experiência?

 

Em primeiro lugar, quero felicitar quantos organizaram este evento. Foi uma iniciativa muito interessante e, por isso, muito participada, que teve o mérito de ser tão informal e tão bem organizada quanto o deveria. Além de tudo, é de sublinhar também a forma tão hospitaleira como fomos recebidos pela Herdade da Figueirinha.

O evento «Do Mosto à Palavra» foi um feliz retomar do passado, feliz retomar que a nossa sociedade tem conhecido nos últimos anos, em diversas áreas. Depois de se ter atravessado um «deserto» de mais de vinte anos em que foi cada vez mais evidente o hiato entre o vertiginoso crescimento tecnológico e a míngua de actividade e produção humanística de qualidade, maxime nas artes e nas letras, assistimos a uma juventude que ouve os Beatles e os Rolling Stones, e faz reviver o fado e o canto alentejano.

Diria que, passadas quase duas gerações, a sociedade ocidental, na qual a nossa se insere, sentiu a imperiosa necessidade de recuperar terreno sólido e fértil para a sustentação dos seus valores culturais, valores não coadunáveis com a efemeridade. Este «esgravatar arqueológico» reconduz-nos, assim, aos anos setenta, talvez ainda ao início dos anos oitenta do século passado. De facto, no séc. XX e até essa altura, era usual a organização de eventos culturais com o mesmo cariz do concurso “Do Mosto à Palavra”. Esses eventos não raramente fizeram nascer e permitiram descobrir diversos talentos para a literatura.

Penso ser do maior interesse que o evento “Do Mosto à Palavra”, sob este ou outro nome, se repita anualmente.

 

2- Quando se fala em Alentejo, o que sente? Como o sente?

 

Sou um homem urbano, que nasceu em Lisboa e sempre viveu em grandes cidades; costumo dizer, por isso, que me conto entre os sem-terra. Tenho, porém, ou por essa mesma razão, um sentimento íntimo e profundo pela província e pelo campo. Chegado a pequenas localidades ou ao campo, tenho a invariável sensação de matar saudades das raízes que nunca tive, de experimentar um inexplicável contentamento da paisagem bucólica que habita em mim.

O Alentejo é uma região de eleição para este meu contentamento, onde sempre volto para reviver a sua natureza; a natureza das planícies que me permite pensar com horizonte e a natureza das gentes, genuína e hospitaleira.



3- De que forma as suas vivências e o seu percurso de vida influenciam tanto o que lê quanto o que escreve? 

 

Será muito pobre que alguém escreva por influência do que um escritor escreve. Um escritor tem a influência de todos os escritores e de todos os que não escrevem. Será muito pobre que alguém escreva influenciado por uma circunstância da sua vida. O escritor é influenciado por toda a sua vida e por muitas mais vidas que com a sua se cruzaram. Um escritor é uma síntese humana. Pintar ou escrever não podem ser uma forma de afirmação, nem são, tampouco, apenas uma vocação; são uma forma de estar no mundo e com o mundo.

Um escritor não pode deixar de escrever, embora haja escritores que nunca tenham escrito. Alguns destes, que, por quaisquer circunstâncias, não tiveram oportunidade de passar o seu talento a limpo, um dia, despertados por um livro ou por um evento literário como o “Do Mosto à Palavra”, vêm a legar-nos obras que seria lamentável não serem publicadas.

O meu percurso é tão só o de um escritor. A minha mão direita escreve o que a minha experiência de vida lhe ensinou; cinjo-me a pequenas correcções e alguns comentários.

 
3- Num breve comentário
deixe-nos o seu parecer relativo ao atual panorama literário português.

 

Tenho o desprazer de dizer que o actual panorama literário português é muito pobre, salvo algumas poucas e honrosas excepções. Durante o período de «deserto» a que antes que me referi, houve o engenho de tentar superar o talento ou a capacidade de escrever com «novos estilos», não sendo rara a aquisição de «talento literário» por acesso aos órgãos de comunicação social; escrita criativa, escrever na diagonal, escrever com várias cores, escrever da direita para a esquerda, de baixo para cima, nas paredes, em linguagem internética e, por fim, last but not least, o Acordo Ortográfico (AO90). Creio que as obras começaram a assemelhar-se aos seus locais de venda – os expositores de hipermercado. Recentemente escrevi que hão-de ser inventadas lojas para o que se escreve actualmente; nas livrarias, aquilo a que nos habituámos a chamar literatura parece lá estar já só para atrapalhar.

Creio que o ressurgimento de iniciativas como aquela que realizaram poderá contribuir para que a literatura recupere a dignidade que sempre mereceu e merece.

 

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