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Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

“Estamos todos muito motivados!”

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13 de Setembro é o Dia Mundial do Agrónomo. Para assinalar esta efeméride a Hall Paxis foi conversar com um dos mais bem sucedidos jovens agrónomos nacionais. O nosso convidado de honra é Henrique Silvestre Ferreira que integra o projeto do Vale da Rosa, no concelho de Ferreira do Alentejo, tendo sido distinguido com o “Projeto Mais Inovador da Europa”, atribuído pelo Parlamento Europeu.

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A Herdade Vale da Rosa é um projeto agrícola com 40 anos de história. Contudo, regista nos últimos anos um crescimento extraordinário, aliado a uma grande aposta na promoção e visibilidade da marca.

O que mudou nestes últimos anos? Que novos projetos são responsáveis por esta alteração de paradigma?

Falar da Vale da Rosa, mais do que falar de uma Empresa, é falar de um projeto exigente mas acima de tudo apaixonante.

A Herdade Vale da Rosa está localizada no concelho de Ferreira do Alentejo, no centro do triângulo do desenvolvimento da região: o Alqueva, o Aeroporto e o Porto de Sines. Temos, sem dúvida, uma localização geo-estratégica privilegiada.

Produzimos Uvas de mesa, de elevada qualidade, numa área de 230ha, sob cobertura de plásticos e redes, e em sistema Pérgola, desfrutando das excelentes qualidades naturais que o Alentejo oferece para produzir agricultura rica regada.

As coberturas não só protegem as vinhas de uma eventual intempérie, como também nos permitem antecipar e prolongar o período da colheita.

A existência da marca é de facto um motivo de grande diferenciação uma vez que na atividade agrícola não encontramos marcas. Esta realidade faz com que o desafio ainda seja maior.

A sua juventude e vontade de inovar também são responsáveis por este processo…

Na realidade estamos todos muito motivados… O meu pai fez uma bonita empresa e concretizou um projeto que a todos nos dignifica. Temos também uma vasta equipa muito comprometida. Todos estes ingredientes fazem são razão de sucesso. Naturalmente que temos que ter um bom produto… e as Uvas do Vale da Rosa são de facto extraordinárias. Somos quatro irmãos e três já trabalhamos Na Vale da Rosa. Eu e o meu irmão temos cada um de nós um projeto agrícola que está a correr muito bem.

A minha formação de base é agronomia. Sou Eng. Agrónomo mas antes se ser engenheiro sou agricultor…sempre vivi dentro da agricultura. A minha família tem uma tradição secular na atividade agrícola e em particular na produção das uvas de mesa sem grainha. O sucesso não depende só de mim… Todos somos importantes. No entanto, o facto do meu Pai nos ter feito herdeiros deste amor à atividade é muito importante uma vez que se vê continuidade no projeto.

Foram feitas apostas estratégicas, sendo que a produção de uva sem grainha será um dos casos mais emblemáticos, sobretudo pela novidade. Estamos a falar de um produto 100 por cento natural? Como se produz este tipo de uva?

Sim… as Uvas sem grainha são 100% um produto natural!

Sempre consumimos uvas sem grainha, muitas vezes sem nos darmos conta que estamos a consumir.

As passas dos bolos São uvas sem grainha. A sua produção é mais complexa porque obriga a um maior investimento em mão de obra e a sua produção por ha é menor!

O Parlamento Europeu entregou-lhe o primeiro prémio do “Projeto Mais Inovador da Europa” devido a esta aposta na uva de mesa sem grainha. Que peso tem esta distinção para si, pessoalmente, e para a Herdade Vale da Rosa?

Há cerca de dois anos, por ocasião da feira de Santarém, tive a grande alegria de ser distinguido com o prémio de melhor jovem agricultor de Portugal. Esta iniciativa, promovida pela CAP e com o apoio do Distinto eurodeputado Dr. Nuno Melo, teve como finalidade reconhecer jovens agricultores e os seus projetos. Para mim foi um grande orgulho pessoal e um grande incentivo a continuar. Este reconhecimento é a prova de que a agricultura é possível e que não só eu mas os jovens agricultores têm um papel fundamental neste sector que já esteve deprimido mas que agora parece ser um grande motor de esperança para a economia e essencialmente para Portugal.

Este prémio teve repercussões a nível europeu na medida em que o projeto que apresentei candidatou Portugal ao melhor jovem agricultor da europa, prémio este que também tive a felicidade de trazer para Portugal. Foi um momento único porque também senti o peso da responsabilidade e a honra que tive em representar Portugal e todos os jovens agricultores de Portugal. Esta grande alegria foi partilhada pelo vale da Rosa uma vez as uvas que eu produzo na minha propriedade são as uvas comercializadas pela vale da Rosa.

Vai ser possível produzir uva com sabor a algodão doce. Este será um dos projetos prioritários para si?

Estou convencido que a agricultura de hoje não pode nem deve estar alheia à inovação. Este facto é essencial para a agricultura. Temos que estar mais próximos dos centros de investigação das universidades. Tenho aprendido com o meu Pai que o investimento que fazemos em tecnologia é sempre barato! Pois permite-nos estar sempre na vanguarda da inovação. Na minha vinha tenho essa experiência. Hoje a estrutura que tenho na vinha permite que os plásticos sejam reciclados e assim tenho uma produção mais amiga do ambiente. É indispensável que a agricultura tenha políticas assertivas com vista ao desenvolvimento sustentável. As boas práticas agroambientais são indissociáveis da agricultura moderna. O facto de eu ter contacto com outras experiências no estrangeiro, nomeadamente, no Chile, Brasil, Itália, Inglaterra, Espanha tem permitido que eu conheça outras visões e outras formas diferentes de trabalho.

As uvas com sabor a algodão doce como outros sabores que irão aparecer é um bom exemplo da conjugação harmoniosa entre a inovação e a agricultura. Precisamos muito de surpreender o mercado… é o que tentamos fazer todos os dias!

Do ponto de vista estratégico foi anunciada, no início do ano, a intenção de duplicar o número de hectares de vinha (passar de 250 hectares para os 500), justificada pela vontade de aproveitar a água de Alqueva. Em que fase se encontra esse processo? Qual é a sua implicação do ponto de vista do investimento financeiro?

A ambição e necessidade da Vale da Rosa é Crescer.

Temos essa ambição e iremos concretizar. O processo está a ser estudado em todos os níveis, quer no investimento, quer no impacto social que trará para a região quer também os novos mercados que iniciaremos em consequência do aumento da produção.

Gostaria que, de forma breve, nos explicasse a importância do mercado nacional e do internacional para a vossa empresa.

O nosso principal mercado é o mercado nacional. É no nosso pais que somos conhecidos.

O ano passado exportámos 35% da nossa produção e os restantes 65% foram consumidos no mercado nacional.

Apreciando o vosso crescimento empresarial é possível concluir que o sucesso dos agricultores do século XXI está fortemente ligado à capacidade de inovação do produto que é oferecido aos consumidores. Concorda?

Sim … é uma afirmação certíssima mas não só temos que ter inovação como também temos que ter pessoas motivadas e sobretudo estarmos apaixonados pelo aquilo que fazemos!

 

 



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