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Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

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“Já matei, já fiz funerais e já enterrei em valas comuns acontecimentos através de palavras”

Foi no Porto que surgiram os primeiros raios de inspiração para criar um prémio literário, em Beja, relacionando o vinho à arte de escrever em prosa ou poesia. Quem faz esta confissão é Rita Palma Nascimento, escritora e blogger. A menina de olhos verdes e sorriso franco também nos cativa pela forma como escreve e, nesta entrevista, fala-nos do seu livro e das diversas participações em antologias poéticas. O blogue Conta-me Histórias é outros dos temas lançados para cima da mesa. Uma conversa interessante que antecipa a primeira edição do prémio literário “Do Mosto à Palavra” que acontece já no dia 27 de maio, na herdade do Monte Novo e Figueirinha.

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A Rita é uma das impulsionadoras desta ideia de criação de um prémio literário associado ao vinho. Podes revelar-nos como é que tudo aconteceu?

Tudo aconteceu em Dezembro de 2016 durante um almoço com a minha mãe, Maria Helena Palma, na esplanada do Chiado Café Literário do Porto. Estava um dia lindíssimo e uma temperatura que, embora incomum ao mês que decorria, se apresentava bastante convidativa à degustação de um copo de vinho branco bem fresco. Foi o que fizemos. E eis senão quando, nos é servido o vinho da casa, que mais não era do que vinho da nossa terra, mais concretamente da Herdade do Monte Novo e Figueirinha. Não pudemos deixar de soltar uma gargalhada pelo imprevisto da situação, ao mesmo tempo que uma ideia fantástica nos assolou às duas: associar três mundos e fundir o prazer vínico e literário no coração do nosso Alentejo. Com o plano traçado em escassos minutos e os parceiros escolhidos à nascença, restava-nos avançar.

És escritora e autora do blogue “Conta-me Histórias”. Podes dizer-nos quando é que começaste a olhar para a escrita de uma forma mais séria?

Não me é possível assinalar no tempo uma data ou um período. Desde os meus primórdios gatafunhos de criança, indecifráveis aos olhos dos outros, mas que me faziam todo o sentido, que soube que seríamos dois mundos indissociáveis. Eu e a escrita. Para mim, que não existo sem ela. Já ela existiu, existe e sempre existirá para além dos meus contornos e de todas as histórias escritas.

Crescemos de mão dada e brincámos muitas vezes juntas. Ela foi-me ensinando que aquilo que eu via e ouvia não se cingia a uma só interpretação, que uma palavra poderia não ter um significado único, mas poderia sim, significar tudo o quanto eu assim entendesse que ela deveria significar. E aí começámos ambas a criar poesia. Fomos crescendo, cúmplices nos bons e maus momentos, principalmente nos últimos onde eu a via – e ainda vejo - como bóia de salvação.

A sua maturidade sempre acompanhou a minha. Os sonhos dela percebi, eram também os meus. Assim como a incompreensão a que tantas vezes estávamos sujeitas. E estar no mundo sozinha não fazia qualquer sentido, nem para mim, nem para ela. Foi por isso que desde o primeiro risco num papel, a trouxe para o meu.

A escrita é uma reta que me toca na curva, sem me cortar e com a qual partilho todo o universo de um ponto em comum. A escrita é uma tangente de mim.

Escrever é uma necessidade para ti?

Em determinadas alturas sim. Noutras, é puro prazer.

Todos passamos por momentos que precisam de ser exorcizados, eu tenho a facilidade de lhes fazer tudo aquilo que muito bem entender através da escrita. Sem ser punida. Sem infringir a lei. Sem incorrer em actos criminosos e ser presente à Justiça.
Já matei, já fiz funerais e já enterrei em valas comuns acontecimentos através de palavras.
Da mesma forma, já eternizei outros tantos. Já fiz nascer flores em jardins despidos de ternura e já devolvi a Lua ao mais negro dos lutos do céu. E confesso, ainda guardo em mim a utopia de, através das palavras, como excelente veículo de comunicação e de partilha de emoções que são, poder contribuir para que o mundo e o coração das pessoas, se tornem dois dos melhores lugares para morar.

Prosa e poesia. Movimentas-te bem nas duas áreas, mas em qual das duas te sentes como peixe dentro de água?

Como peixe dentro de água não diria, porque o peixe quando morre vem à superfície e eu, em todas as vezes que morri, fui ao fundo. Mas é claramente na poesia que me sinto em casa. Embora tenha prosa no jardim.

Já escreveste um livro e tens textos teus publicados. Fala-nos sobre o livro “Quero Escrever-te”…

Falar sobre o livro é como falar do primeiro rascunho de uma qualquer ideia que tive há mais de quatro anos, que interessou a alguém, mas da qual eu não me orgulho, por não ter sido devidamente trabalhada. São páginas em bruto e muitas delas não me fazem hoje qualquer sentido. Se comparados os textos com os que atualmente escrevo, chamar-lhes-ei imaturos, não nas ideias, mas sim na forma como ao leitor se apresentam. Eu sou bastante crítica de mim mesma e se aquilo que faço não me satisfaz, mesmo que possa saciar a sede a alguém, eu prefiro guardar e não mostrar. Para lançar um livro não basta escrever. É preciso estar-se dentro dele. É preciso que aquilo que a capa aconchega seja aquilo que também nós aconchegamos nos braços, com orgulho, com amor, com dedicação, ternura e carinho.
Perguntam vocês e bem, “mas porque é que o lançaste”? Havia um concurso a terminar num prazo de dois dias e eu ganhei, com um rascunho, que era única coisa que tinha na altura. Foi só isso.

Onde é que podemos ler outros textos teus? Sei que tens textos teus publicados pela Chiado…

Aproveito a deixa para fazer publicidade gratuita ao blog onde poderão, quase diariamente, acompanhar as minhas histórias sejam elas em prosa ou em verso e também algumas reflexões da minha autoria: http://contame-historias.blogs.sapo.pt

Podem também ler-me na Obvoius Magazine, na página 7HINK no facebook, brevemente numa Antologia de Poesia da Pastelaria Studios e numa outra lançada pela Colibri. Não podendo revelar mais por agora.

A minha maratona de participações em antologias poéticas começou exatamente com a Chiado Editora, na anual Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho”.
Foi há quatro anos que a integrei pela primeira vez, com poemas que, neles sim, ainda hoje tenho orgulho em que façam parte de uma obra tão rica em valor poético e nacional. Na última edição estão reunidos cerca de mil e quinhentos poetas portugueses da atualidade, desde os mais consagrados aos novos talentos, sendo por isso uma honra poder estar entre eles.

 

 

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