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Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

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“Tivesse eu agora um “tintinho” da Herdade da Figueirinha à mão, e provavelmente esta entrevista seria bem melhor…”

A entrevista poderia ter sido melhor com um tinto da Herdade da Figueirinha, mas não deixa de ter aqui dentro um conjunto muito interessante de ideias para partilhar com o público. No sábado, 27 de maio, integrado na primeira edição do prémio literário “Do Mosto à Palavra”, Paulo Abreu Lima vai participar numa tertúlia com o humorista Bruno Ferreira e com o músico Luís Espinho. Enquanto aguardamos por sábado, Paulo Abreu Lima fala-nos das canções que anda a escrever para António Zambujo, Rui Veloso, Mariza e muitos outros artistas.

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O talento que associamos imediatamente ao Paulo Abreu Lima é o da composição musical. Como é que surgiu essa vontade de construir letras para canções?

A minha mãe e o meu pai eram poetas. E eu de muito cedo senti vontade de os cantar. Posteriormente de contar ou inventar as minhas próprias histórias nas canções… Evidentemente que naquele tempo a arte era vista de outro prisma e o conservatório um sonho impossível de alcançar, e que sobrou como uma espécie de “pedra no sapato” que ainda carrego na alma… Durante a minha juventude fiz parte de alguns grupos amadores e ainda gravei um single com quatro originais. A vinda abrupta para Portugal, aquando da descolonização, interrompeu, por razões várias, essa minha “costela” musical. Mais tarde, muito mais tarde, e já em Beja, houve quem desse por mim, propondo a formação de um grupo só com originais e a gravação de um CD. E daí nasceu a “Tribo do sol” de tão boas memórias e a classificação para um dos festivais da canção (2001), que me deu a visibilidade suficiente para um convite do Rui Veloso.

Mariza, Rui Veloso ou António Zambujo são alguns dos artistas que cantam temas escritos pelo Paulo Lima. Ajuda-nos a identificar algumas dessas canções que todos conhecemos?

Da Mariza, e em parceria com o Rui Veloso: “Feira de Castro”, “Transparente”, “ O tasco da Mouraria”, “Meu amor pequenino”; e com o Paulo de Carvalho “Missangas”. Também para a Mariza fiz a adaptação para português da canção “A Thousand Years” no dueto com o Sting ( Unity – Atenas 2004).

Para os “Fados e canções de Alvim” escrevi “Sabores da noite” interpretado por A. Zambujo, e “Um canto de saudade” interpretado pelo Rui Veloso.

Também em parceria com o Rui Veloso e para os “Donna Maria”: “Amar como te amei”.

Em parceria com o A. Zambujo, “Não me esperes de volta”, cantado por Raquel Tavares e “Despi a saudade”, cantado por Ana Moura.

Dulce Pontes, Lura, Cuca Roseta, Carla Pires, Berg, Nuno Norte, Yami Aloelela, Nelo de Carvalho, Adelaide Ferreira, Adiafa, Al Mouraria, Ochia, Buba Espinho são alguns dos intérpretes que me honraram com a sua voz.

Para construir letras para musicas é fundamental dominar a linguagem musical?

Não necessariamente, embora reconheça que o seu domínio é uma mais-valia em termos de limitação e dependência. Hoje, e cada vez mais, escrevo em cima de músicas já concebidas, o que dificulta o espaço de manobra e inspiração. Por outro lado, quando envio um poema, a preocupação é de que a musicalidade nele antecipe e facilite a inspiração do compositor. E, nesse sentido, para mim, compor enquanto escrevo dá-me maior liberdade de escrita.

Sendo a formação musical uma lacuna no meu percurso como letrista e compositor, uma coisa é certa: -- Só por si também não chega! Porque um bom músico não é obrigatoriamente compositor, e pode mesmo vir a desvirtuar irremediavelmente o sentido do poema… Mas, e porque todos os caminhos podem levar a Roma, penso que cada um deve seguir o que lhe dita a “alma”, tantas vezes sem fórmulas exatas no que concerne à escrita e composição… 

E para escrever presumo que seja fundamental ser um leitor quase compulsivo. Quem são os seus autores preferidos?

Deveria ser, reconheço! Mas eu, que sempre fui um bom aluno a Português, contraditoriamente, e fora dos autores obrigatórios, nunca criei hábitos de leitura que me permitam com honestidade indicar preferências. A minha juventude, -- riquíssima de experiências e memórias, foi quase toda ela virada para a “rua”… Talvez por isso tivesse adorado as obras de Jorge Amado  e a musicalidade poética de Vinícius ou do Chico Buarque. Depois Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Cesário Verde, Carlos Ari dos Santos, ou escritores como o Saramago e o Mia Couto, por exemplo. Não tendo um critério definido de prioridades ou preferências e reconhecendo tantos génios na escrita, vou “tropeçando” sem “pressas ou compulsividade” num Eça de Queiroz ou num Almada Negreiro, Eugénio de Andrade, Vergílio Teixeira, Garcia Marques, ou alguns mais daqueles que toda a gente conhece, ou não. O último livro que li e adorei, por exemplo, é a compilação das crónicas de Vitor Encarnação escritas para o Diário do Alentejo. 

Quem são os grandes compositores portugueses de sempre e da atualidade?

Se falássemos de “imitadores” seria fácil e eu responderia de caras: -- Bruno Ferreira! Assim sendo e para não ser injusto citarei apenas dois amigos meus entre tantos que aqui não caberiam:-- O Rui Veloso e o Paulo de Carvalho… ou o Carlos Paredes, Zeca Afonso, António Variações, ou Carlos Paião, -- por exemplo, entre os fisicamente desaparecidos…

Enquanto músico, em que projetos está a participar ou já participou?

Atualmente trabalho num projeto com o João Caetano, compositor e músico de enorme talento, e vou mantendo uma parceria “de luxo” com o António Zambujo, Rui Veloso, Pedro Joia. Também estou a escrever para alguns intérpretes que só não refiro por justificada incerteza de anteriores experiências. Na verdade, e por razões alheias à nossa vontade, uma grande maioria das letras escritas para canções acabam na gaveta, por falta de concretização desses mesmos projetos…

O vinho é um bom companheiro para os momentos de inspiração?

Muito bom! Tivesse eu agora um “tintinho” da Herdade da Figueirinha à mão, e provavelmente esta entrevista seria bem melhor…

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