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Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

"A Vontade não vem nas leis nem nos orçamentos, mas é quem move montanhas"

 

Beja insere-se numa região essencialmente agrícola, onde a implementação do projecto “Alqueva” veio trazer uma nova dinâmica e uma nova realidade aos campos e às explorações  agrícolas. Com a mudança de paradigma e de culturas, existiu a necessidade de adaptar os modelos de gestão, por um lado, e por outro sentiu-se a necessidade de uma crescente especialização e profissionalização, quer por parte dos empresários, quer por parte dos técnicos afectos a essas explorações. A agricultura/empresa é hoje uma realidade e os investimentos efectuados  têm forçosamente que estar em linha com os objectivos propostos. Formar empresários agrícolas de sucesso requer muita dedicação e profundo conhecimento em várias áreas.

 

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O nosso convidado de hoje é alguém que embora com formação e vasta experiência na área, não estagna e tem como princípio “andar um passo à frente”, por forma a conseguir imprimir as melhores práticas na exploração de que é gestor. Rui Veríssimo Baptista gere a Conqueiros Invest, uma exploração agro-pecuária familiar, com vários polos.

 

 

Ou se “provoca” o crescimento ou se deixa apenas o crescimento ao dinamismo do investimento privado.

 
Sem dúvida que Alqueva transformou muitas vidas e muitas explorações agrícolas. Na sua opinião, o Baixo-Alentejo é neste momento uma região onde se deve apostar fortemente em termos agrícolas? Porquê?

 

Em primeiro lugar importa precisar que o Alqueva abrange uma parte do Baixo Alentejo (BA). Há um outro BA, o não regado, maior em área que o regado. E este “outro” BA, por comparação com o beneficiado pelo Alqueva, é parte da resposta à pergunta.

A agricultura de regadio é sempre um motor de desenvolvimento dos territórios. Está a ser assim no Alqueva como foi assim noutras regiões onde o regadio chegou. A escala e modernidade do empreendimento do Alqueva veio dar uma dinâmica económica ao território distintiva, que muito dificilmente outro setor poderia proporcionar. Aliás, o passado assim o demonstra.  A Agricultura de regadio, pelo nível de investimento e especialização que está a atingir irá, naturalmente, proporcionar a instalação de novas indústrias, com o agroalimentar à cabeça, comportando-se assim como a locomotiva do desenvolvimento do BA. 

Contudo, há o outro BA, onde o investimento no setor agrícola é inevitável, porque a ocupação do território assim o exige, já que não há outro setor que lhe valha. Neste caso, o investimento terá naturalmente de ter uma filosofia diferente, e inevitavelmente alicerçado em políticas publicas. Porque se tratam de investimentos com retornos financeiros mais débeis e, portanto, de risco mais elevado, o investimento publico deverá ser desenhado com vista a promover rendimentos justos aos agricultores, assegurando desta forma a manutenção da atividade, e consequentemente, a sustentabilidade económica, social e ambiental destes territórios. As politicas publicas de apoio ao rendimento jogam aqui um papel fundamental.

Em suma a resposta é claramente sim.

Que paralelo estabelece entre o investimento privado efectuado nas imensas explorações que conhecemos e o potencial de desenvolvimento da região?

 

Cingindo-me à zona do Alqueva, entendo que este investimento é o paradigma do que deve ser o desenvolvimento de uma região e que define claramente o que significa investimento publico de qualidade. O estado investiu na criação de infraestruturas e os privados investem em consequência dessa infraestruturação. Ou seja, o bom investimento publico o que fez foi potenciar o potencial da região, tornando mais rentável, e por isso mais atrativo, o investimento privado. Neste caso, em particular, a água veio colmatar um dos grandes entraves à agricultura desta região de clima mediterrânico.

O Agricultor, como qualquer outro empresário, investe onde se sente seguro, o mesmo será dizer, onde veja rentabilidade financeira e risco controlado.  O Alqueva veio precisamente “fabricar” esta realidade.

 

Considera que o investimento público, em geral, é adequado ao crescimento agro-industrial que se verifica, ou existirá um longo caminho a percorrer até que estejam reunidas as condições para uma real e proporcional conjugação de valores investidos e a investir?

A Agroindústria é fundamental porque valoriza a cadeia agropecuária, sendo por isso uma grande mais valia para a região. A agroindústria significa mais investimento, RH mais qualificados, maior inovação, melhores empregos etc.. É uma consequência natural do desenvolvimento numa região agrícola. Havendo produção ela vai aparecer. Contudo o seu aparecimento poderá ser “provocado” mediante politicas públicas assertivas.

Estas politicas deverão ter um foco muito orientado, por exemplo, nas infraestruturas de transporte, para escoamento competitivo dos produtos (não esquecer que estamos na ponta da europa), na politica de formação, as empresas procuram mão de obra qualificada, e na politica fiscal, para promover, também por esta via, vantagem competitiva face a outras regiões, quer à escala regional, quer nacional, ou mesmo internacional.

Conforme referi, a agroindústria irá aparecer com maior intensidade, porque será inevitável, tendo em conta o investimento na produção a que estamos a assistir. Mas de facto, ela poderia neste momento existir já com uma expressão maior. Tenho a sensação de que pelo facto de se ter construído o Alqueva a administração central parece “sentir” que já cumpriu com a sua obrigação de investimento na região. Por exemplo, há manifestas deficiências nas infraestruturas de transporte, rodovia e ferrovia. Contudo, o governo quando instado sobre a falta de investimento na região, atira para cima da mesa os enormes números do Alqueva. Ou seja, há apenas um discurso contabilístico, não se encontrando uma lógica de planeamento integrado. Aliás, o discurso político enferma deste vício, falam-se de milhões e nunca se fala do resultado desses milhões. De facto, este tipo de discurso é sempre mais fácil,  adapta-se a qualquer realidade e facilita a comparação, porque são apenas euros. Se a minha ideia está confusa, pense-se, por exemplo,  no Aeroporto…

 

O crescimento e o desenvolvimento assentam, além da componente investimento, num capital importantíssimo: as pessoas.  Na sua opinião, quais os caminhos a seguir para conseguir fixar na região o capital humano, técnico ou não, indispensável ao funcionamento das empresas?

O desenvolvimento económico arrasta sempre consigo as pessoas. No caso do Alqueva é possível criar esse dinamismo económico porque está a acontecer sucesso por via do investimento público e privado. Deste ponto de vista as coisas estão a correr bem.

À semelhança das infraestruturas que referi na pergunta anterior, às entidades com influencia no desenvolvimento da região, restam duas opções, ou se “provoca” o crescimento ou se deixa apenas o crescimento ao dinamismo do investimento privado. O facto de Beja não ter provocado o investimento fez com que algumas regiões limítrofes tivessem assumido a dianteira nalguns investimentos estruturantes. A produção está a fazer o seu caminho, é importante instalar em maior escala a agroindústria, porque é um elemento fundamental de criação de valor na cadeia. As pessoas movem-se com a economia e a economia move-se por interesses.  A Camara Municipal poderá e deverá desempenhar um papel fundamental neste processo de captação de investimento porque tem ferramentas, como nenhuma outra entidade na região, como sejam, por exemplo, a fiscalidade e a política de licenciamentos, apenas para falar nas mais importantes.

 

O Rui imprimiu na sua exploração uma gestão de meios e de recursos rigorosa, com uma forte aposta na inovação, na tecnologia, na energia limpa, entre outras. Quer falar-nos um pouco dessa necessidade de transformação que sentiu e dos benefícios conquistados?

O mundo muda todos os dias e quem não se adapta não vinga. Hoje em dia, na agricultura como noutros setores, um líder é fundamentalmente um gestor da mudança. No meu caso particular, a mudança que estamos a operar nas nossas explorações teve a ver com o facto de o modelo de negócios tradicional que tínhamos implementado estar a perder rentabilidade, e isso despoletou a mudança que está a ocorrer, sempre de forma gradual e estruturada. Neste aspeto é muito importante saber distinguir o que é estrutural e conjuntural. A introdução da agricultura de precisão tem sido uma aposta decisiva na adaptação das nossas empresas.

A agricultura de precisão significa mais informação e desta forma decisões mais robustas. Sondas de rega, imagens de satélite, georreferenciação das operações, mapeamento das produções e dos solos, são algumas das ferramentas que apoiam a nossa agricultura de precisão. Através deles é possível melhorar a rentabilidade porque com os mesmos inputs podemos produzir mais porque os utilizamos melhor.

Por outro lado, é igualmente nosso objetivo tornar as nossas empresas com um balanço energético zero. É por isso que estamos a apostar fortemente na produção fotovoltaica.

Queremos a medio prazo ser uma empresa modelo na gestão dos recursos, mas para isso necessitamos renovar o nosso quadro de pessoal. Esta é uma tarefa lenta porque temos uma forte consciência social, e não utilizamos os despedimentos como ferramenta de gestão.

 

Na sua actividade, tal como em qualquer outra, um dos caminhos de quem quer progredir, assenta em parcerias. Estabeleceu já alguma parceria ou acordo de colaboração com entidades regionais que estejam abertas a esses novos modelos de investimento/crescimento? Considera que o futuro da agricultura especializada poderá passar por modelos de parceria?

Não conheço nenhum setor de sucesso, ou mesmo país, em que o seu modelo de desenvolvimento não assente em parcerias fortes. A parceria é a potenciação do conhecimento de cada um e é promotora de confiança. Já hoje, nas minhas empresas, temos parcerias, em especial com os nossos fornecedores de referência. Igualmente, desenvolvemos projetos de investigação com empresas e instituições de ciência no âmbito de programas de financiamento comunitário. Mas reconheço que há um algum caminho a percorrer.  A parceria é muitas vezes entendida como concorrência. Por outro lado, a noção de parceria para alguma industria e distribuição é entendida de forma enviesada, uma vez que há uma diferença negocial muito grande, sendo que a agricultura geralmente incorpora a maior parte do risco. No entanto, à medida que o setor se vai profissionalizando há uma tendência natural para que as coisas vão melhorando.


Numa outra vertente da sua experiência pessoal, o Rui acompanha de perto, e há vários anos, a actividade da Associação Terras Dentro, sediada em Alcáçovas, enquanto Presidente do Órgão de Gestão. Quer falar-nos um pouco da história, pressupostos e actividade desta Associação?

Terras Dentro (TD) nasceu em Alcáçovas no ano de 1991. Deram-lhe origem a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal de Viana do Alentejo e um grupo de cidadãos empenhados no desenvolvimento da sua terra. Nasceu a partir de um programa designado Iniciativa Comunitária Leader I. Esta iniciativa tinha, e tem ainda hoje, um principio fortemente inovador, o de serem as parcerias de cada território a definirem uma estratégia e a decidirem os respetivos projetos, através de uma unidade de gestão constituída por paceiros. Foi em resposta a esta iniciativa que nasceu a TD, como mais vinte associações espalhadas pelo país. O Leader teve mais duas versões, o II e o +, e foi no anterior quadro comunitário integrado no então PRODER. Hoje é uma media do PDR2020. Hoje todo o país rural, continente e lhas, está coberto por associações Leader. Foi um sucesso este programa.

A TD desde a sua criação foi ganhando competências em muitas áreas e hoje desenvolve uma atividade plurifacetada, nomeadamente, no empreendedorismo e animação territorial, na educação e formação, na área do ambiente, da solidariedade (é uma IPSS) e na Cooperação para o desenvolvimento (É uma ONGA – entidade equiparada a organização não governamental de ambiente). Desde 1997 é reconhecida como entidade de Utilidade Publica.

Ou seja, a TD no seu território de intervenção desempenha hoje um papel muito importante junto das populações. Papel muito importante tem que ver com as parcerias, verdadeiras parcerias, que a TD tem construído com parceiros do território.

Como referi, no atual PDR2020, a medida 10 esta destinada às atividades Leader, ou seja, os projetos têm decisão local, através de uma unidade de gestão, da qual sou o presidente. São projetos associadas ao desenvolvimento rural. Para além do presidente há mais 5 entidades representada no Órgão de Gestão, selecionadas de entre os parceiros, rodando em cada 2 anos. Este OG está incumbido de se pronunciar sobre as candidaturas da medida 10 do PDR2020, relativas ao território de intervenção, que se estende pelos municípios de Alvito, Vidigueira, Portel, Montemor-o-novo, Cuba e Viana do Alentejo, onde tem a sua sede, nas Alcáçovas. A decisão das candidaturas enquadrada-se numa estratégia nacional, prevista no PDR2020 em conjunto com uma estratégia territorial que foi desenhada para o território da TD, no âmbito da qual o Órgão de Gestão foi criado. Fruto da minha experiencia como coordenador nacional do Programa Leader+ fui convidado para presidir a este OG. Sou igualmente diretor da TD.

 

O trabalho da Terras Dentro tem sido meritório, tanto ao nível do desenvolvimento territorial sustentado, como ao da forte preocupação com as condições humanas. Nos dias de hoje é bem evidente a assimetria litoral/interior. Na sua opinião, será este tipo de movimento associativo um apoio e uma esperança para as populações que vivem ainda um pouco “fechadas em si próprias” e, de alguma forma, entregues à sua sorte?

 Manifestamente SIM. O território da TD estende-se maioritariamente pelo Alentejo profundo e não regado. Sabemos bem o que significa a assimetria. A TD já empregou mais de 40 técnicos, atualmente tem a seu cargo cerca de 25. Muitas das pessoas que trabalham na TD vivem nas Alcáçovas ou em zonas rurais adjacentes. Formaram família e têm os filhos a estudar na escola das Alcáçovas. Haveria outra forma de conseguir estabelecer um conjunto de pessoas com esta formação numa zona de interior profundo de Portugal? Este é sem dúvida um caminho. Estas realidades não aparecem nas estatísticas.  A TD, no âmbito da sua estratégia, vai “buscar” e integrar os vários incentivos que o estado coloca ao dispor e “trabalha-os” por forma a que os apoios sejam canalizados. Mais nenhuma entidade faz esta integração de forma tão eficaz na sua região de intervenção como a TD.

 

Em que medida Associações como a Terras Dentro podem ter um papel fundamental no desenvolvimento da região?

 Neste Alentejo não regado, este tipo de associações do terceiro setor têm um papel fundamental no desenvolvimento económico e humano dos seus territórios. Como referi, a TD é um motor de desenvolvimento na região, e em particular do seu território de intervenção. É por essa razão que todos os municípios têm uma relação de enorme proximidade com a TD, por lhe reconhecerem seriedade e competência no trabalho. São verdadeiramente uma associação de Desenvolvimento Local, porque toda a sua intervenção tem como propósito o território e as pessoas que lá vivem.

A melhor forma de vermos a importância de alguém é perguntar, e se ele se fosse embora? E se a TD fosse embora do território? Não era o fim do mundo, mas não seria tão bom.

Por outro lado, e voltando ao tema das parcerias, toda a intervenção da TD é baseada em parcerias. Dialogo, partilha, coresponsabilização e, consequentemente, confiança. As parecerias nas organizações são o equivalente à socialização nos Homens, e hoje, em muitos estudos, sabe-se que o sucesso de cada um e das sociedades em geral tem a ver com o nível de socialização que ao longo da vida se consegue atingir.

 

O empreendedorismo de sucesso no Baixo Alentejo requer premissas muito específicas. Sabendo que existem condições para que o desenvolvimento regional seja uma realidade, qual seria o seu apelo enquanto empresário, e enquanto membro da Terras Dentro, no sentido de evidenciar que o Baixo-Alentejo vale a pena, sendo uma região onde o investimento  está na ordem do dia?

Todos temos um modelo de desenvolvimento baseado naquilo que vimos, que lemos, que ouvimos, que sentimos.  E isso faz-nos sonhar, com uma sociedade mais justa, feliz, jovem, tranquila, promotora de uma cidadania plena em todas suas dimensões.  O Alentejo pode um dia ser uma sociedade melhor, que persiga o nosso sonho. Temos um motor de desenvolvimento baseado em algo que é nosso e só nosso, a terra, o sol, o ar e o fogo, felizmente apenas nas lareiras.

O meu sonho para o Alentejo baseia-se acima de tudo nas pessoas. Mais saúde, com um novo Hospital, melhorar os programas de atividades não letivas, apostando fortemente nas atividades culturais e no desporto como elemento de partilha e desenvolvimento pessoal dos jovens, reforçar a ligação do IP Beja às empresas, promover uma forte e inovadora política de natalidade, apoiando os casais com filhos e os que os querem ter, desenvolver uma rede de apoio aos idosos, quer nos cuidados quer na sua participação na sociedade, desempenhando o voluntariado um papel fundamental, desenvolver uma postura ativa na captação de investimento, com a indústria com papel cimeiro, através de benefícios orientados,  desenvolver uma rede de mobilidade mais moderna, e tudo feito com a preocupação de sustentabilidade ambiental e equilíbrio social.

Isto seria o sonho, mas muito pode ser feito neste sentido, e quem o pode fazer? O Estado? Precisa de ser espicaçado e tem outras prioridades, já se viu. A sociedade civil? Sim, mas quem pode encabeçar o movimento? Quem o quer fazer? Se houvesse alma e ambição, acho que apenas um alguém está em melhores condições de o fazer. De liderar o processo. Necessitaria de alma, inteligência, ambição e altruísmo democrático. Seria um sonho, mas pode ser um sonho, O, não sei se este, porque não o conheço, Presidente da CM de Beja. Precisava de ser livre, verdadeiramente livre para encabeçar este movimento, porque de um movimento se trata. O resto são questões técnicas de planeamento e gestão. A Vontade não vem nas leis nem nos orçamentos, mas é quem move montanhas.

 

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