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Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

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Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

"Quando nos recusamos a tomar decisões comuns, alguém as tomará por nós"

João Espinho

Blogger | Praça da República

João Espinho é autor e editor do Blog Praça da República, um blog independente, que se debruça, entre outros, sobre assuntos do Concelho de Beja e da Região, um espaço aberto, de debate, de partilha de pontos de vista, onde se comenta livre e moderadamente o que vai acontecendo. É nesta qualidade que convidamos João Ferraz Espinho a fazer parte deste espaço de reflexão intitulado “Alentejo, um amanhã reinventado”.

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Urge fazer uma revolução de mentalidades. E para isso, não há executivo, municipal ou outro, que nos acuda. Somos nós, bejenses, que temos que mudar. Amanhã já será tarde.




Na sua opinião o que falta acontecer no Alentejo e no distrito de Beja, em particular, para vivermos o tão almejado progresso económico e social?

Em primeiro lugar, parece-me que estão por cumprir as promessas que, ao longo de décadas, nos têm sido, sucessivamente, apresentadas pelos governantes, quer da cidade quer do país. Desde que há eleições democráticas, tudo o que é de bom nos tem sido prometido para alcançarmos o desejado desenvolvimento. Como se pode constatar, não passam de promessas eleitorais que, na hora das decisões, são metidas nas gavetas ministeriais e esquecidas até ao seguinte acto eleitoral.

 

Enquanto cidadão, quais são para si os motivos que conduziram à estagnação da região e ao consequente desânimo por parte de muitos dos seus habitantes?

No seguimento do que disse anteriormente, são também os cidadãos que “deixam” que nada aconteça. Somos pouco interventivos e, muitas vezes, deixamo-nos embalar pelas conversas daqueles que dizem querer representar-nos. Não temos sabido criar sinergias e juntarmo-nos para lutar pelos interesses da região. A divisão das pessoas está enraizada e dela jamais se colherão frutos. A política está mal vista e é encarada por muitos cidadãos como uma maleita da qual se devem afastar. É sabido que, quando nos recusamos a tomar decisões comuns, alguém as tomará por nós.

 

 

Por vezes a força de lobby e interventiva junto do poder central e de grupos económicos, pode fazer toda a diferença no desenvolvimento das regiões. O que se diz na sua “Praça” a este respeito?

O Alentejo foi vítima, após o PREC e a Reforma Agrária, de feridas profundas que teimam em não sarar e muito menos em ser esquecidas. Há uma enorme clivagem, transversal a toda a sociedade alentejana, decorrente das lutas travadas após o 25 de Abril. O exagero de algumas reivindicações, a ocupação e posterior devolução de terras e imóveis, criaram um enorme fosso entre vários grupos de cidadãos e que tem acompanhado várias gerações. São, como disse, feridas profundas que, talvez, tendam a sarar nas próximas gerações. Ora, uma sociedade dividida, não tem força e perde capacidade para fazer lobby. Daí que, onde essa clivagem não seja tão evidente, os cidadãos tendam a unir esforços e a saber como fazer pressão sobre os decisores governamentais.

 

 

Sendo que o investimento público é sempre determinante no desenvolvimento, considera que a região de Beja poderá alavancar um futuro com base em investimento privado, em áreas específicas?

Beja e a região têm vivido, eternamente, à espera dos milhões de euros vindos dos cofres do estado, como se tal fosse a salvação para o evidente definhamento do interior sul do Alentejo. Como mais adiante tentarei explicar, o investimento público é de primordial importância, mas não podemos estar à espera que o Estado venha aqui depositar os ovos doirados, pois a distribuição dos dinheiros públicos deve assentar numa visão global do território e não pode servir para criar mais assimetrias. Daí que o investimento privado é crucial para que se possa desenvolver a região. Diria mesmo: Não sairemos do marasmo sem empresas privadas dinâmicas que, emparelhadas com o investimento público, possam, realmente, servir de trampolim para o desejado desenvolvimento.

 

 

No distrito de Beja assiste-se a um aumento do número de empresários dinâmicos e empreendores. Considera que o caminho percorrido até agora é suficiente,  ou será que  neste campo também temos ainda muito caminho a percorrer?

Ser empresário no distrito de Beja, ou em qualquer outro distrito do país, é, sem dúvidas, uma tarefa enorme e desgastante de energias. Existem labirintos incontornáveis que, por um lado, impedem que alguém se arrisque a pôr de pé um projecto empresarial e, por outro, vão sugando dinheiros que poderiam ser utilizados na criação de empresas. Ouça-se qualquer empreendedor para se perceber como a teia burocrática é desanimadora, levando muitos a virar costas e a procurar outras paragens onde, cumprindo as exigências legais, os “compadrios” não asfixiam os desígnios de criar novas empresas.

 

 

Instalou-se a ideia de que o desenvolvimento da região está dependente, sobretudo, da melhoria das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias. Na sua opinião e no geral da sua “Praça da República” será só isto que está a travar o crescimento?

As acessibilidades são essenciais. Uma boa rede de estradas e uma ferrovia electrificada, são exigências que não podemos, de forma alguma, descurar. A luta por melhores estradas e comboios deve ser diária e temos que reinventar essas formas de luta. A cidade de Beja tem vindo, ao longo dos tempos, a perder massa crítica, gente que tenha novas ideias e sugira novos procedimentos reivindicativos. O movimento Beja merece+ tem as suas virtudes mas padece de uma apatia e inércia, muito características dos bejenses. Sendo um movimento que vive de forma pouco organizada, está sujeito aos sabores do tempo e dos impulsos temporários de alguns cidadãos. O movimento bate-se por melhores acessibilidades e pela efectiva rentabilização do chamado aeroporto de Beja. São, indiscutivelmente, objectivos primordiais, mas não lhe reconheço, até ao momento, qualquer peso negocial ou mesmo capacidade para ser lobista.

 

 

Viveu algum tempo fora de Portugal, embora num país comunitário, olhando para outras realidades. Que reflexão faz relativamente ao que a região tem para oferecer aos  potenciais investidores, portugueses ou não, que possam ajudar no crescimento e desenvolvimento de uma zona do país, que aparentemente tem tudo, mas onde o tempo tem teimado em ficar quase parado?

Durante os 4 anos que vivi na Alemanha, vinha regularmente a Portugal, e obviamente a Beja, e espantava-me o súbito enriquecimento das gentes e da quantidade de estradas (auto-estradas) que se construíam por todo o lado. Eram os tempos gloriosos dos fundos europeus que davam para comprar novos carros, novas habitações, casas de férias, etc…

Porém, a região não estava a beneficiar dessa “riqueza”, os investimentos para impulsionar economicamente o Alentejo eram quase inexistentes. Na Alemanha avisavam-me: com a entrada de Portugal na moeda única, o país não se vai aguentar e, mais tarde ou mais cedo, esse enriquecimento vai inverter-se, dando lugar a graves problemas financeiros. O resto da história já nós conhecemos. Em Beja gastaram-se milhões para esventrar a cidade, para a descaracterizar, foi o Pólis, e no fim, quem beneficiou com todas essas obras? Está à vista que não foi nem a cidade nem a região. Não se soube ter uma visão estratégica de longo prazo optando-se por obras de gosto duvidoso (Praça da República, Jardim do Bacalhau, Avenida Miguel Fernandes), esquecendo que à nossa volta há todo um mundo rural a necessitar reconversão. Simultaneamente, o Instituto Politécnico pareceu-me que foi perdendo dinâmica, mas continua a ser uma das principais, se não a principal, a par do Hospital, instituições do Distrito. Duas instituições que, a meu ver, têm sido muito maltratadas, quer pelos poderes quer pelos cidadãos.

 

 

Sendo a Praça da República de Beja o local, por excelência, das decisões relativas ao Concelho de Beja, já que é lá que se situa a Câmara Municipal, e sendo a “Praça da República” o blog mais exposto às condições regionais, que sugestão faria ao executivo Municipal e ao executivo Nacional, no sentido de conferirem ao Distrito de Beja as condições para um reinventar do Baixo-Alentejo, onde todas as condições que temos, possam de facto ser potenciadas?

O novo executivo camarário tem uma enorme tarefa à sua frente: inverter o caminho do isolamento, transformar o evidente definhamento numa nova centralidade, afirmando Beja como efectiva capital de Distrito. Deverá, em primeiro lugar, olhar para as pessoas, para os munícipes, sendo o seu representante junto de um poder central que teima em nos ignorar. O Baixo-Alentejo tem uma infinita riqueza, desaproveitada, ou mal direccionada, e é isso que tem de ser tido em conta pelos novos decisores que têm assento na praça da República. O Centro Histórico da cidade morreu e muito dificilmente ressuscitará sem pessoas. Têm que ser criadas condições para, por um lado, tornar o CH habitável e, por outro, mais favoráveis às empresas que aqui se querem instalar e investir. O definhado comércio local tem que se reinventar, pelo que a Câmara, com as ferramentas disponíveis, deverá auxiliar esses comerciantes a renovar os estabelecimentos, retirando-lhes encargos, permitindo-lhes investir nessa renovação. Mas, e termino aqui, urge fazer uma revolução de mentalidades. E para isso, não há executivo, municipal ou outro, que nos acuda. Somos nós, bejenses, que temos que mudar. Amanhã já será tarde.

 

"É meu, nosso, objetivo contribuir para ter um IPBeja com a região e um IPBeja para além da região!"

João Paulo Trindade é o Presidente do Instituto Politécnico de Beja. Nos escassos meses de mandato, já marcou a diferença, na dinâmica que tem imprimido ao Instituto. Pessoa profundamente enraizada no Alentejo, e com uma visão abrangente e de futuro, é hoje nosso convidado para falar, segundo a sua perspectiva, sobre o desenvolvimento da região, assim como da interacção entre o IPB e a comunidade empresarial.

 


A criação de emprego é fundamental para a fixação de pessoas no nosso território. A diminuição da população apresenta-se como um dos principais desafios que teremos, conjuntamente, de ultrapassar. Neste sentido, a combinação do investimento privado e do investimento público torna-se imprescindível. Importará não recorrermos a discursos e posições derrotistas, mas antes assumirmos as nossas capacidades e reclamarmos por ações que nos ajudem a potenciar as boas condições que temos.

 

 

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Na sua opinião, qual é o papel que o Instituto Politécnico de Beja deve assumir dentro de uma estratégia de desenvolvimento regional do Alentejo e do distrito de Beja, em particular?

 

Todos tiraremos proveito de um IPBeja forte, participativo, interventivo, solidário e consciente do seu posicionamento. Como?
(i) Recorrendo às suas atuais competências e promovendo o seu crescimento e desenvolvimento no contexto do ensino superior nacional.
(ii) Aperfeiçoando a sua notoriedade ao colocar em prática uma estratégia com ações de divulgação dos cursos e dos resultados dos projetos realizados, levando-os ao conhecimento da comunidade, fortalecendo a imagem e capacidade de comunicação.
(iii) Proporcionando condições mais adequadas à realidade atual do ensino superior politécnico que permitam o desenvolvimento de atividades de investigação, marcadas pela inovação e pelo empreendedorismo, preferencialmente em colaboração com outras instituições de ensino superior e com a comunidade exterior.
(iv) Otimizando a capacidade de captação de novos alunos, nacionais e internacionais, assim como a resposta às solicitações da sociedade em geral.
O IPBeja tem previsto no plano estratégico para 2018 um conjunto de ações em estreita ligação com os municípios, entidades e empresas da região que contribuirão no terreno para essa estratégia de desenvolvimento regional. Temos presentes políticas orientadas para a internacionalização, para a investigação aplicada, para as questões sociais, para os estudantes e para as nossas ofertas formativas. O IPBeja é uma instituição de ensino superior que está implicada em todas as dimensões que enquadram a sua missão.

 

Tem-se apontado, inúmeras vezes, para a necessidade de o IPB dialogar e trabalhar mais com as empresas da região. No seu entendimento, essa relação entre as empresas e o universo do conhecimento está de boa saúde, ou é claramente uma relação que precisa ser mais aprofundada?

 

A ligação efetiva à comunidade envolvente deverá ser traduzida através da resposta a necessidades e objetivos específicos da região, do setor empresarial, social e cultural. Deste modo, o papel do IPBeja sairá valorizado e reconhecido e daí poderão resultar propostas de eventuais novas ofertas formativas, reforço de parcerias para o conhecimento e novos projetos de I&D baseados na prática. Urge reforçar a visibilidade das atividades, projetos, prestações de serviço e investigação que são realizados por muitas estruturas do IPBeja com e para as entidades regionais.

O IPBeja tem desenvolvido um esforço no sentido de institucionalizar o trabalho em rede e as parcerias regionais, nacionais e internacionais. Importa, neste âmbito, destacar a aproximação às escolas de ensino secundário e profissional, às autarquias, às organizações de produtores e associações setoriais, às incubadoras, empresas e associações de desenvolvimento local.

As relações entre as entidades regionais podem e devem ser sempre melhoradas e aprofundadas. Procuraremos manter com a comunidade envolvente um relacionamento descomplexado, no sentido de criar pontes e encontrar soluções para problemas comuns. No planeamento a médio / longo prazo não poderemos deixar de ter em conta algumas realidades como sejam o contexto demográfico e socioeconómico, a profunda alteração introduzida pelo regadio e a importância da agricultura no Alentejo, a crescente procura turística e a enorme carência nacional e internacional, por exemplo, ao nível das profissões associadas às tecnologias de informação e comunicação.

É meu, nosso, objetivo contribuir para ter um IPBeja com a região e um IPBeja para além da região!

 

Existem já bons exemplos dessa cooperação entre o IPB e as empresas locais?

Existem inúmeros exemplos e casos de sucesso da cooperação entre o IPBeja e as empresas e instituições regionais, por exemplo, ao nível da prestação de serviços, participação conjunta em projetos, consultoria, estágios, utilização de equipamentos e laboratórios, entre outros. Esta colaboração assenta em diversos domínios do conhecimento, no âmbito das áreas técnicas e científicas que o IPBeja apresenta. Correria o risco de ser excessivamente exaustivo ao listar todos os bons exemplos ao nível desta cooperação e, ao mesmo tempo, de poder deixar alguns de fora.

 

Vivemos numa região predominantemente agrícola, sendo que este é um setor que vive um período de grande dinamismo no nosso distrito. Esse "novo" interesse pela "terra" teve impacto no número de estudantes que ingressam nas licenciaturas da Escola Superior Agrária de Beja?

 

Não terá tido ainda o impacto que todos desejamos e que pretendemos atingir, mas queremos potenciar esta atenção sentida no setor agrícola para conseguirmos um novo impulso na captação de estudantes e na oferta formativa nesta área. O posicionamento geográfico do IPBeja no contexto nacional implica, necessariamente, um investimento e atuação permanentes nos setores agrícola e agro-alimentar. O IPBeja apresenta nestas áreas excelentes resultados, com parcerias consistentes e de elevado nível técnico e científico. A Escola Superior Agrária, o Centro de Exploração Agrícola, o Centro de Experimentação Agrícola e o Centro Hortofrutícola, do IPBeja, realizam prestações de serviços, instalação e colheita de ensaios de campo e consultoria agrícola, de grande valia e reconhecimento pelas associações e agricultores da região.

 

Considera adequada a actual oferta formativa da ESA (Escola Superior Agrária), à realidade da região, onde as alterações das características das explorações agrícolas, provenientes da grande diversificação de culturas “trazidas” pela implementação do projecto Alqueva, são cada vez mais exigentes?

 

Os cursos lecionados no IPBeja gozam, na sua maioria, de reconhecimento e notoriedade junto das entidades empregadoras. Existe o cuidado de atualização dos planos de estudo, ajustando-os à natural evolução social, tecnológica e científica vivida na sociedade. A acreditação da A3ES confere-lhes a marca de qualidade e é um garante para qualquer candidato na hora de escolher o curso e a respetiva instituição de ensino superior.

Também neste domínio teremos de alcançar o equilíbrio entre a evolução do mercado e das necessidades que vamos vivendo e sentindo “lá fora”, com os exigentes percursos de qualificação e especialização dos nossos técnicos, docentes e investigadores. A alteração da oferta formativa nem sempre é possível de forma tão rápida quanto seria desejável. São exigentes as condições e requisitos definidos pela A3ES - Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior -  para a autorização de funcionamento de novos cursos. Não significa isto que não devamos estar atentos e procurar ir ao encontro das novas realidades, mas sempre com a garantia de qualidade nos procedimentos.

O IPBeja tem, em todas as suas escolas e departamentos, uma oferta formativa estabilizada, uma grande capacidade de investigação em várias áreas científicas e um corpo docente qualificado. Disponibiliza, atualmente, 17 CTeSPs, 14 Licenciaturas e 13 Mestrados. Procura-se que a oferta formativa seja construída de forma a permitir aos estudantes o prosseguimento dos estudos, o que acontece na maioria das áreas de formação. Assim, a partir de um CTeSP será possível ingressar numa licenciatura e, posteriormente, frequentar um mestrado na área.

Naturalmente que queremos sempre fazer mais e melhor e por isso o reforço nas atividades de investigação e desenvolvimento é um dos eixos da estratégia do IPBeja para os próximos anos.

 

Um trabalho já muito elogiado é aquele que se desenvolve através do CEBAL - Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo. Aqui, a transferência de conhecimento para o sector privado parece acontecer a um ritmo interessante. Pode falar-nos dessa relação do CEBAL com as empresas e com os agricultores?

 

Apesar de estar localizado nas instalações do IPBeja, o CEBAL é uma unidade autónoma, de investigação e desenvolvimento privada, sem fins lucrativos. Conforme pode ser consultado no resptivo site, “desenvolve relevante atividade na identificação e o desenvolvimento de novas oportunidades que possam ser aplicáveis à região nomeadamente nas áreas da produção vegetal, na produção animal, no processamento e melhoria dos produtos agrícolas e alimentares, na implementação de processos que permitam a obtenção de valor acrescentado a partir de sub-produtos e resíduos e na pesquisa de formas de valorização de matérias-primas tradicionais”.

O IPBeja participa na Direção do CEBAL, disponibiliza condições de funcionamento e mantém cooperação científica através da participação em projetos e atividades de investigação comuns.

 

Na sua tomada de posse declarou que uma das prioridades desta nova Direcção passa pelo aumento significativo do número de estudantes que frequentam os cursos oferecidos pelas diversas escolas do IPB. Está neste momento a decorrer uma primeira experiência de ensino no sector aeronáutico, através do Curso Inicial de Tripulantes de Cabine. Pode explicar-nos exactamente como nasceu esta ideia de cooperação entre o IPB e a G Air Training?

 

A exploração do cluster da aeronáutica foi um dos propósitos que apresentei quando da minha candidatura à presidência do IPBeja. Por outro lado, a proximidade de uma infraestrutura como o Aeroporto de Beja é motivo suficiente para que não possamos ficar alheios à possibilidade de também darmos, por via da nossa missão e no respeito das formações e especializações do nosso atual capital humano, um contributo para a sua exploração. Foi por isso que procurámos esta parceria com a GAir. Não sendo fácil contabilizar o número e os principais indicadores económicos das empresas em Portugal que desenvolvem atividade em torno do setor da aeronáutica, ninguém tem dúvidas da importância que esta indústria assume nas regiões em que se instala.

 

Qual foi a recepção do público a esta nova oferta formativa?

 

Foi boa, a formação realizou-se conforme previsto e com um elevado número de formandos. O curso de Pessoal Navegante de Cabina resultou da parceria IPBeja / GAir Training / Orbest, a parte teórica teve lugar no IPBeja e a componente prática nos Açores. Contou com estudantes do IPBeja, de outros pontos do País e até do estrangeiro. Existe a possibilidade de dentro de pouco tempo realizarmos uma nova edição deste curso. Trata-se de um curso breve sem atribuição de grau académico.

 

Acredita que a aposta formativa no sector aeronáutico não vai ficar por esta experiência? Que outras formações/cursos poderão vir a ser ministrados a curto/médio prazo?

 

Queremos fortalecer a ligação com as empresas aeronáuticas e caminhar no sentido de responder às necessidades de emprego qualificado. Apostamos na qualificação dos nossos estudantes para o emprego em setores de grande procura, aproveitando a existência e proximidade ao Aeroporto de Beja e à cidade de Évora onde estão instaladas algumas importantes empresas ligadas ao setor. Estamos interessados e disponíveis em aprofundar ofertas formativas, em parceria com o IPSetúbal, IPPortalegre, IPCastelo Branco e instituições europeias.

Temos consciência de que estamos a falar de um setor muito exigente, tanto a nível tecnológico como a nível de qualificação empresarial e pessoal. A necessidade de tecnologia avançada, de infraestruturas adequadas e de mão-de-obra altamente qualificada, são requisitos fundamentais para alcançar sucesso e reconhecimento internacional nesta área.

Neste contexto, o IPBeja assume as suas limitações, mas também as suas potencialidades e responsabilidades, estando por isso interessado e disponível para, em conjunto e aproveitando as sinergias existentes, contribuir para o aproveitamento e desenvolvimento desta importante infra-estrutura que poderá potenciar um cluster regional, com impacto nacional e internacional.

Importa não só consolidar o reconhecimento e afirmação das áreas lecionadas no IPBeja, mas também abrir espaço para equacionar a oportunidade de expandir a oferta formativa a novas áreas, como por exemplo, o setor da aeronáutica já referido, o setor mineiro, a agricultura de precisão, entre outras.

 

Considera que o desenvolvimento da região poderá passar por uma conjugação de investimentos privados em áreas específicas, embora o investimento público seja essencial para criar condições de fixação de populações e bons profissionais?

 

Sem dúvida. A criação de emprego é fundamental para a fixação de pessoas no nosso território. A diminuição da população apresenta-se como uma dos principais desafios que teremos, conjuntamente, de ultrapassar. Neste sentido, a combinação do investimento privado e do investimento público torna-se imprescindível. Importará não recorrermos a discursos e posições derrotistas, mas antes assumirmos as nossas capacidades e reclamarmos por ações que nos ajudem a potenciar as boas condições que temos. Só para dar um exemplo flagrante que todos conhecemos e sentimos, é urgente conseguirmos o investimento necessário na ferrovia entre Beja e Casa Branca que nos proporcione uma ligação rápida, segura e fiável a Lisboa.

Lembro que a decisão sobre a localização dos institutos superiores politécnicos em Portugal assentou numa lógica de “compromisso territorial” que permitisse cobrir também as regiões do interior de baixa densidade populacional.

 

Supondo que era abordado por uma grande empresa que pretende fixar-se na região, quais seriam os pontos chave que iria referir para convencer esses investidores de que Beja vale a pena?

 

Novos e elevados investimentos na fileira das agro-indústrias.
Expansão do regadio a grandes zonas do Alentejo.
Consolidação de muitas empresas agrícolas.
Novas acessibilidades e infra-estruturas disponíveis.
Crescimento do turismo.
Existência de boas condições “para se viver” na cidade de Beja.
Cidade segura que oferece boas infra-estruturas sociais, culturais e desportivas e uma boa qualidade ambiental e do clima.
Existência de recursos humanos qualificados, materiais e equipamentos disponíveis, que podem apoiar a instalação de novos negócios.
Existência do Aeroporto de Beja.
Bom posicionamento no eixo Lisboa – Algarve – Espanha.
Cidade com potencialidade para crescer.
Possibilidade de candidatura a fundos estruturais.



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