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Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

Hall Paxis

Integrada na rede nacional Hall, esta imobiliária atua em todo o distrito de Beja.

"Uma marca que é preciso assumir, promover e valorizar. O Baixo Alentejo é um diamante em bruto"

"Comediante, actor, cronista, dobrador, escritor, Bejense e Sportinguista”, assim se apresenta nas redes sociais. Quem o conhece sabe da profunda paixão que nutre por Beja. Incansável na divulgação e promoção do território baixo-alentejano, interventivo e frontal, Bruno Ferreira, está hoje connosco à conversa.


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Ainda de acordo com o mesmo jornal, constata-se que o Baixo Alentejo é a terceira região mais produtiva do País, logo depois de Lisboa, com 109,5% ou seja, bem acima do todo nacional, enquanto o AA (Alto Alentejano e o Alentejo Central) se situam a meio da tabela com 92,3%, portanto abaixo do todo nacional.



Bruno, a faculdade levou-o para Lisboa e é lá que tem desenvolvido a sua vida profissional, mas Beja tem-se mantido sempre no seu coração. Ao invés de tantas outras pessoas que partem e raramente voltam, o Bruno é uma pessoa assídua na cidade e acompanha de perto o que por aqui se vai passando. Quer falar-nos um pouco sobre isso?

É verdade. Saí de Beja em 1993, com destino a Lisboa, para me licenciar em Relações Públicas e Publicidade, um curso no âmbito da comunicação, de um modo geral, mas focado na comunicação empresarial, de forma mais particular. Em boa verdade já tenho mais anos de Lisboa do que de Beja, o que faz de mim, como costumo dizer a brincar, um Lisbejense. Tive a fase normal de afastamento, como todos os jovens que saem das suas terras rumo a uma cidade grande; é o período do encantamento, do conhecimento e descoberta, de novas pessoas e novos espaços, de abrir os olhos ao mundo imbuído de novos conhecimentos académicos e vivenciais. Talvez durante os dois primeiros anos tenha vivido Lisboa, e todas as suas ofertas boémias, culturais, relacionais, etc., de uma forma muito intensa. Depois de 19 anos de idade, e de Beja, e olhando a esta distância, imagino que sentisse essa necessidade de afastamento naquele momento concreto. E o afastamento tem sempre um lado bom. Que é o do reencontro. Sem afastamento não nos toca a saudade, não sentimos as nossas faltas, sejam elas afectivas, ou meramente olfactivas ou visuais. Quem pode esquecer a silhueta do mais belo Castelo do mundo? Ou o perfume de uma tarde de Primavera? E foi rigorosamente isso que aconteceu. Soube-me tão bem esse afastamento quanto o prazer que me deu a reaproximação à minha cidade. Apesar de continuar a viver em Lisboa mantenho o coração irremediavelmente refém da minha cidade de Beja.


Todas as pessoas têm conhecimento que o Bruno é um dos fundadores e mentores do Movimento Bejamerece+, criado há alguns anos, na defesa das acessibilidades a Beja. Neste momento o Movimento ganhou novo fôlego, está mais dinâmico e tem maior visibilidade, preocupando-se agora com outros aspectos que não são já apenas o comboio e a auto-estrada. Considera que a globalidade dos temas, actualmente defendidos pelo movimento, poderá só por si ter suficiente força reivindicativa junto do poder?

Permita-me uma correcção: não estive no início do Movimento Beja Merece. Este movimento surgiu em 2011, encabeçado por várias pessoas de Beja, bastante activas na luta pelo comboio e pela linha ferroviária do Alentejo. Estamos a falar de gente como o professor Florival Baiôa, o António José Barahona, o José Filipe Murteira, ou o Jorge Serafim. Nesse período apenas colaborei em acções pontuais como, por exemplo, o espectáculo no Pax Julia.

Não sei dizer ao certo quando, ou como me tornei mais pró-activo dentro do Movimento. Creio que terá sido no fim de 2016. Apaixonei-me pela causa e aproximei-me das pessoas mais activas, neste caso do Florival Baiôa por quem nutro uma estima, amizade, e admiração incomensuráveis. Nesse início de vida o Movimento esteve bastante activo, juntando uma significativa fatia da população de Beja. Depois, como quase todas as coisas de uma forma geral, e os movimentos de cidadãos em particular, houve um período de acalmia, sobretudo depois da Petição Pública experimentada nessa altura não ter obtido os resultados desejados na Casa da Democracia. Mas a semente continuou no espírito das gentes até porque, infelizmente, cada vez foram surgindo mais motivos para que as pessoas se indignassem, se revoltassem e quisessem arregaçar as mangas e participar, de forma livre, numa luta independente por uma Beja e um Baixo Alentejo diferentes, com qualidade de vida e justamente mais desenvolvidos. E por isso o Movimento renasceu. As pessoas voltaram a juntar-se, e a essas outras mais. Como que para marcar este seu segundo fôlego, ao Movimento Beja Merece foi acrescentado um Mais (+), em 2017.

Paralelamente as causas evoluíram para todo o Baixo Alentejo e saltaram dos carris do comboio para o asfalto das estradas, as asas do Aeroporto e a saúde do Hospital. Isto tornou o Movimento mais robusto, com maior amplitude quer de interesses, quer na sua geografia. Actualmente há muita gente a trabalhar com o Movimento. Paradigmática foi a Reunião Magna levada a cabo no Teatro Pax Julia, em Beja, no fim de 2017, que juntou quase seis centenas de pessoas de todos os quadrantes políticos, ideológicos e proveniências sociais. Fazendo do BMM um caso modelo a nível nacional. Em votação esteve uma decisão à partida polémica, mas que acabou por ter uma votação expressiva: o Movimento de Cidadãos não iria ser transformado numa Associação, com personalidade jurídica e estatutos formais. O BMM permanece da forma mais genuína possível, não organizada, (o que também não implica ser desorganizado), e suprapartidário, ou seja, colocando-se acima dos partidos políticos, mas contando com a intervenção destes na defesa conjunta de objectivos comuns. De notar que mesmo os que estiveram contra a moção vencedora nunca deixaram de colaborar ou apoiar o Movimento.

Relativamente às razões de pedir que consubstanciaram a Petição Beja Merece Mais, que está agora na sua fase de recolha, teremos primeiramente de aguardar pela contagem de assinaturas. Que terá tido uma participação massiva é já uma certeza. Centenas de pessoas mobilizaram-se pelo Baixo Alentejo, mas também pelo Algarve, Lisboa, Ribatejo, Margem Sul, Norte do País, e em várias comunidades de emigrantes, com o fim de divulgar e partilhar a petição, ajudando de todas as formas na recolha de assinaturas.

Resta agora saber se o desiderato das 20.000 assinaturas foi alcançado. Se assim for abrem-se portas novas e caminhos ainda não trilhados. E daí poderá surgir o sucesso. Com mais de 20.000 assinantes, a petição passa a poder ser acompanhada de propostas de recomendação ao governo - projectos de resolução - no mesmo sentido das que a petição avançou. Os projectos de resolução podem ser apresentados por um ou mais partidos, que poderão agendá-los para a mesma data do debate da petição no plenário da AR. No caso de não alcançarmos as 20.000 assinaturas será, sempre, uma petição com um resultado robusto. Mas que que se arrisca a não produzir os efeitos esperados. Contudo, e em caso afirmativo, segue-se uma interessante negociação política com todos os partidos representados na AR. Nesse momento saberemos quem está, e quem não está, com o Baixo Alentejo. E que partidos têm o interesse de reabilitar definitivamente toda uma região carenciada e abandonada. Mas ainda falta algum tempo até termos todas essas respostas.


O Baixo-Alentejo está em transformação e constitui, hoje, uma região de oportunidade para investir, quer ao nível do sector agro-alimentar, quer das indústrias daí decorrentes, do turismo e, mais recentemente, da aeronáutica. Face a este potencial de desenvolvimento, com um interesse crescente por parte de investidores privados, que reflexão faz em relação a dois momentos: o hoje, e o futuro?

Nestas matérias sou doentiamente optimista. Desta forma não consigo acreditar que na Cidade, Concelho e Distrito de Beja, e no Baixo Alentejo, o amanhã não seja melhor do que o hoje. Em bom rigor podemos notar que tudo o que já foi feito, bem como o que está a ser levado a cabo noutras paragens, regiões e distritos nacionais, quase nem começou, ainda, em Beja e no Baixo Alentejo. Apesar de isso, só por si, ser altamente injusto, por outro lado, significa que as oportunidades estão ainda quase intactas. Basta reverter as carências em ensejos, as faltas em oportunidades, o abandono em investimento. Para o crescimento sustentado de uma comunidade que fica distante dos grandes centros de decisão, como é Beja e o Baixo Alentejo, é necessário que o investimento seja equilibrado entre o que é público e o que provém da iniciativa privada. E, neste momento, precisamos com urgência de investimentos de ambas as proveniências.

Veja-se a saúde, por exemplo: o Estado tem o dever de proteger os cidadãos nesta matéria, oferecendo-lhes o direito à saúde. Existe - ainda que depauperado - mas existe um Serviço Nacional de Saúde. Existe uma rede de hospitais (desde há tempos dividida em regiões e sub-regiões de saúde, numa espécie de decalque de um mapa de regiões já rejeitado pelo País, mas já lá vamos), munidos de cuidados integrados de saúde, nomeadamente a promoção e vigilância, a prevenção da doença, o diagnóstico e tratamento dos doentes e a reabilitação médica e social.

Pergunto se esta teia de serviços existe e funciona no Hospital e Beja, ou nos demais do Baixo Alentejo. Não. Desta forma o Estado está em falta. O que não quer dizer que em Beja não devêssemos, ou pudéssemos ter um hospital privado. Não com o objectivo de prestar o serviço que o Estado não presta, só de per si. Até porque a saúde, enquanto sector, não pode ser privada, logo paga, em Portugal. Mas no caso específico de Beja, uma saúde privada pode e deve servir de alternativa, e só alternativa, para quem tem condições económicas para a poder pagar; para os titulares de seguros que podem alternar idas ao público com o privado, sendo que acabaria por colmatar inúmeras falhas, ao mesmo tempo que libertava espaço de atendimento no serviço público. E que traria para Beja mais quadros de saúde, médicos e enfermeiros, abriria vagas de trabalho em inúmeros sectores, como secretariado, segurança, construção/manutenção, serviços, fazendo funcionar a economia e oferecendo maior bem-estar e segurança à região. Sem esquecer que também o turismo se faz, cada vez mais, em função da existência de serviços de saúde consistentes e próximos. Já para não falar de sectores como a indústria, que envolvem muitas vezes riscos para a saúde que podem ser minorados com serviços de qualidade de proximidade. Mas atenção: nunca como substituição das obrigações do Estado.

No que toca ao sector agro-alimentar e industrial, é vital que também aqui a iniciativa privada se instale na região, criando riqueza, postos de trabalho, pagando impostos e dando corpo e poder a um sector que está, nesta fase, quase moribundo. Já existem alguns exemplos, como a Fair Fruit, entre outros, que são falados há anos. Contudo se nos pusermos do lado destes investidores constatamos que para um interessado se instalar em Beja, ou na generalidade do Baixo Alentejo, faltam, ainda, um conjunto de infra-estruturas básicas como sejam as vias de comunicação. Se eu abro uma fábrica em Beja, que processe polpa de fruta ou compotas, por exemplo, terei de ter condições de transporte que assegurem que uma frota de pesados possa trazer matéria-prima, ou outros bens, e levar a produção da fábrica seja para onde for. Mas como é isso possível sem comboio, sem estradas, sem IP, sem Auto-estrada, ou mesmo sem a valência aeroportuária, neste caso como interposto de cargas e descargas, ou seja, importações/exportações?

Como é possível captar investimento industrial, agro-alimentar, ou até tão só agrícola, se Beja é, neste momento, a única capital de distrito que não é servida por uma via com, pelo menos, características físicas de Itinerário Principal? Se a obra mais recente e com algum significado efectuada no corredor do IP8 (que liga o litoral atlântico à fronteira com Espanha) no distrito de Beja foi feita há cerca de 30 anos? Se na maior parte da sua extensão a via não possui sequer bermas pavimentadas, nem as larguras definidas na legislação para Itinerários Principais?

O facto de, nesta estrada - que de acordo com vários projectos e anúncios governamentais, deveria já ser a auto-estrada A-26 - circular em simultâneo tráfego agrícola significativo, elevada quantidade de tráfego de pesados de mercadorias, e o tráfego tradicional, faz com que apresente uma degradação galopante oferecendo condições altamente deficientes do ponto de vista do conforto, mas sobretudo da segurança rodoviária.

É preciso compreender que só um tecido empresarial e industrial forte terá peso e voz na exigência das infra-estruturas necessárias, e que continuam em falta no Baixo Alentejo. O sector, e tal como se encontra nos últimos anos, não consegue ter expressão suficiente para reivindicar ao Estado essas contrapartidas pela economia que gera, os empregos que cria, e os impostos que paga. Por outro lado faltam pessoas à região para levar a cabo essas mesmas reivindicações. E se o Estado não é pressionado a agir, as condições necessárias à instalação de novos projectos industriais, agrícolas e empresariais não vão acontecer. E as pessoas continuarão a partir, em busca de melhores condições de vida noutros lados. É uma relação causa-efeito que é preciso inverter e por a funcionar.

E, justamente por estas razões, podemos aqui juntar o factor do turismo, ou mesmo da tão falada criação de um Cluster Aeronáutico. Nem uma nem outra solução podem existir sem vias de comunicação. Se bem que ambas, maioritariamente, de investimento privado, ao Estado compete apenas criar condições para as deixar nascer e crescer. Tudo o que seja contrário a isto não serve para a região. E não servindo para a região, por maioria de razão, não serve ao País.

Mas estamos a tempo. Ainda é possível aproveitar o clima favorável de um certo optimismo e algum crescimento, para que o Estado cumpra o seu papel e passe a olhar para o Baixo Alentejo como uma região por explorar em variadíssimos sentidos, como económicos, sociais ou culturais. Para isso, apenas, a coisa pública, não deve estancar o investimento. Deve impulsionar, ajudar e cumprir com o seu papel democrático de justo facilitador. Eu, pelo menos, penso assim. O que não é sinónimo do Baixo Alentejo deixar de gerir a sua agenda setting a sua comunicação aos alvos certos, de acordo com as suas necessidades, no sentido que mais lhe convém, fazendo cumprir os seus objectivos. Digo isto porque, mesmo em termos de Turismo, a promoção do Baixo Alentejo não deve estar encaixada numa amálgama de regiões de turismo, o que impossibilita uma estratégia de comunicação clara, objectiva e criativa em torno da oferta real e exclusiva do Baixo Alentejo. Seria chegado o momento de investir numa comunicação independente de uma região Única. Com identidade própria. E de valor incalculável. Uma marca que é preciso assumir, promover e valorizar. O Baixo Alentejo é um diamante em bruto.


Beja é uma cidade com um património material e imaterial incrível, de onde são oriundos imensos talentos, seja na sua área, na música, na moda, na comunicação, na gastronomia, na gestão, etc. Considera que esse património com o qual crescemos poderá ter influência no percurso destes talentos? Beja será um pólo a explorar pela criatividade, já que oferece uma alma única, paz, tranquilidade e paisagens inspiradoras?

Sem dúvida. Beja tem uma identidade muito própria, uma alma que desde sempre tem sido geradora de inúmeros artistas em tantas áreas (e aqui vou poupar-me a enunciá-los, uma vez que somos muitos e poderia esquecer-me de algum). Existe um sonho que partilho com alguns amigos de Beja, e que era ver nascer na cidade uma “fábrica” de artes. Que pudesse acolher todas as manifestações artísticas. Não só aquelas que já são Património da Humanidade, ou as outras mais conhecidas, mas todas as demais. Uma escola de referência que trouxesse gente de outros países, que fosse um modelo internacional, e que levasse o nome de Beja pelo mundo fora como exemplo e forma de inspiração. Isso poderia tornar-se realidade, por exemplo, na antiga Fábrica de Moagem de Beja, perto do Parque Industrial, e que agora, com a requalificação da Rua da Lavoura, foi aproximada da cidade. Um descomunalmente elegante edifício industrial do séc. XIX, com o típico charme vintage, e a pedir desesperadamente que não o deixem cair por terra. Ou ainda na antiga Metalúrgica Bejense. Património arquitectónico e social que merece ser posto salvo e valorizado.

Sobre o edificado histórico, sabemos bem a riqueza do património material existente na cidade e concelho, desde os confins dos tempos. Uma chamada de atenção para os espólios arqueológicos de estruturas sociais milenares, que se encontram sob os barros de Beja, e que têm vindo a ser dizimados por proprietários de terrenos agrícolas, sem haver até ao momento nenhuma sanção exemplar pelos vários crimes de lesa-pátria que têm vindo a ser perpetrados. Mas bom seria, também, que se não deixassem morrer projectos arqueológicos de valor patrimonial único, como o Templo Romano, ou a Casa da Moeda, ambos na rua com o mesmo nome, no coração da cidade, e se continuasse a apostar noutros. Se existe dinheiro bem empregue é nesta forma de investir. Que valoriza a cidade, ao invés das tantas vezes preferidas obras de fachada. Só assim, mais tarde, Beja se pode afirmar como destino de um turismo cultural, informado e com poder de compra. Com vários pólos museológicos e monumentais espalhados pela cidade, um novo tipo de comércio, impulsionado por uma nova fórmula de turismo, poderia florescer. Bom seria, ainda, que de uma vez por todas, o património religioso e monumental da cidade pudesse ser visitado por turistas nacionais e estrangeiros, mas também por Baixo-alentejanos, sem se esbarrar com o nariz em portas invariavelmente fechadas. Se trancamos a riqueza dentro de quatro paredes e isolada dos nossos olhos, do nosso espírito, ficamos todos mais pobres. Porque não aprendemos com ela, não nos deixamos inspirar, não registamos nem partilhamos essa riqueza e não alimentamos o espírito. E gente pobre de espírito é gente que se torna perigosa. Porque alheia e desinteressada. Logo desistente e descrédula.


Falando de descentralização e regionalização, temas quentes no momento, será o Baixo Alentejo um território com condições para fazer face a essa regionalização?

Sim. Definitiva e obrigatoriamente. A propósito deste tema, elogio a ideia do deputado socialista eleito por Beja, Pedro do Carmo, de unificar a CIMBAL -Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo e a CIMAL - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral. A ver vamos se, de acordo com o mesmo, a questão irá ser "colocada brevemente em cima da mesa". O Baixo Alentejo só teria a ganhar com essa unificação. Apenas pelo facto de o Baixo Alentejo ser uma região com uma identidade própria. E de o Alentejo Litoral ser historicamente parte desta região até um dia ter sido alvo de uma disruptiva e contranatura divisão, ou subdivisão administrativa de um Alentejo cuja identidade tem vindo a ser espartilhada, dividida, e mutilada. No meu entender existem tão só dois Alentejos: o Alto e o Baixo. Tudo o mais não tem passado de um conjunto de experiências administrativas completamente inócuas que apenas tiveram como resultado desunir as duas regiões alentejanas e distorcer a sua identidade. Senão veja-se como é hoje, administrativamente, definido o Baixo Alentejo: sub-região estatística (NUTS III) de Portugal. Nem na nomenclatura existe dignidade.

Apesar de não ter dúvidas de que, por variadíssimas razões, o Baixo Alentejo tem todas as condições para se afirmar como uma região administrativa num futuro mapa nacional de regiões, não sou um defensor acérrimo da regionalização. Aliás, votei contra ambas as questões propostas no referendo sobre a Regionalização que este Novembro assinala vinte anos. Neste âmbito posso bem mais afirmar que me considero um “distritalista”. Sou partidário da descentralização por distritos. É um tipo de organização administrativa mais justa e democrática, com enraizamento histórico e percepção social, e que permite a continuidade de investimento em cidades de média dimensão, ao invés de, como tem acontecido, se apostar cirurgicamente em cinco cidades nacionais, relegando todas as restantes para mera paisagem árida. Desta forma nunca se conseguirá combater a litoralização do País e o despovoamento do interior. O País é constituído pela diversidade. Não podemos ter uma aldeia abandonada como opção a viver numa dessas cinco cidades altamente desenvolvidas. E quem não perceber que é esse o rumo que esta organização administrativa está a levar, então não está a olhar para o País com olhos de ver. Só com a atribuição de mais poderes, competências, e capacidade orçamental, as cidades - sejam elas sedes de Distrito, de Concelho, ou de Freguesia - podem desenvolver-se pelo seu mérito, pelos seus recursos, e pelo empenho das suas gentes. Tudo o resto é falsificar a palpitação do interior Nacional.

Contudo, e apesar do chumbo categórico conferido pelo País à regionalização administrativa, tal como esta foi proposta, a política seguida pelos vários governos tem sido justamente a contrária. Sem haver ninguém que grite bem alto que esse caminho não é consentâneo com a vontade manifestada pelos portugueses em sede própria. E Beja e o Baixo Alentejo têm sido vítimas centrais dessa política de desmantelamento territorial que urge travar e reverter.

Para se ter a percepção do contexto do Baixo Alentejo no todo nacional, é necessário conhecer alguns valores em termos demográficos, geográficos e de produtividade. Em termos absolutos, o AA (Alto Alentejo + Alentejo Central) conta com 13.623 km², ao passo que o BA (Baixo Alentejo + Alentejo Litoral) integra uma área de 13.814 km². Equivalem-se, portanto, em dimensão territorial, as duas regiões alentejanas. No que concerne à população, o BA conta 227.587 habitantes (censos de 2011), tendo o AA outros 285.058. Estes cerca de 50.000 habitantes de diferença são já o reflexo das políticas dos últimos anos, que têm afastado as populações do Baixo Alentejo, obrigado a elevadas taxas de migração e emigração, ao passo que os investimentos verificados no Alto Alentejo têm resultado na capacidade de atracção e retenção populacional nessa região.

Contudo, segundo o jornal de Negócios, e de acordo com um estudo levado a cabo há menos de um ano e meio, “o Alentejo Litoral é a região portuguesa com o nível mais elevado de produtividade do País, tendo ultrapassado Lisboa em 2014.” Os motivos estarão relacionados com desenvolvimento do complexo portuário de Sines e, em especial, da refinaria. Os dados foram revelados pelo Instituto Nacional de Estatística, sendo o factor produtividade calculado através da relação entre o PIB e o emprego. Ainda de acordo com o mesmo jornal, constata-se que o Baixo Alentejo é a terceira região mais produtiva do País, logo depois de Lisboa, com 109,5% ou seja, bem acima do todo nacional, enquanto o AA (Alto Alentejano e o Alentejo Central) se situam a meio da tabela com 92,3%, portanto abaixo do todo nacional. Desta forma facilmente se constata que um Baixo Alentejo “unificado” tem todas as condições para ser uma Região Administrativa, caso o País opte por este caminho. A região manter-se-ia à frente da de Lisboa, em termos de produtividade, sendo a líder de todo o País, atraindo a si quer mais investimento privado, quer mais atenção por parte do investimento público.


Supondo que a instalação de algumas empresas determinantes para o desenvolvimento da região dependia do seu parecer, quais seriam as mais-valias por si enunciadas para a fixação dessas empesas em Beja?

Quando eu era adolescente existia um jogo de computador muito famoso, e de que gostava muito, chamado Simcity. Era um jogo de simulação, no qual o jogador construía e administrava uma cidade. E que características eram precisas para fazer crescer sustentadamente a cidade? Pois bem, na prática as mesmas que, hoje em dia, são necessárias para fazer crescer uma cidade verdadeira: cuidados de saúde, meios de protecção civil, casas e prédios onde as pessoas possam viver, infantários, escolas e universidades, estradas, comboios, aeroporto, fábricas, lojas e instituições bancárias, hotéis, jardins e zonas verdes, espaços desportivos… enfim. O jogador que conseguisse este sistema básico de funcionamento conseguia fazer da sua cidade uma comunidade exemplar com toda uma estrutura funcionante, segura, confortável e auto-suficiente para os seus habitantes. O sucesso do jogo devia-se a essa relação estreita com a realidade.

Em bom rigor Beja precisa dessas características, dessas mais-valias, para se afirmar como uma cidade inteira. Se existir indústria aumentam os postos de trabalho, diminui o desemprego e surgem oportunidades de trabalho, primeiro para os residentes, e mais tarde para gente de fora, o que enriquecerá o seu tecido social, que comprará no seu comércio tornando-o mais robusto, que terá filhos a estudar nas suas escolas, que pagará mais impostos à cidade, que poderão ser utilizados para levar a cabo investimentos que gerem qualidade de vida e a atracção de mais gente, incluindo turistas, o que obriga a que o parque hoteleiro cresça e atraia mais turistas que aqui gastarão dinheiro e levarão, pela palavra, o nome da cidade ainda mais longe. A propósito diga-se que a oferta de camas em Beja é imensamente escassa para as necessidades. A taxa hoteleira da cidade  do concelho cifra-se perto dos 80% anuais. Ou seja, juntando épocas alta e baixa. O que prova que existe falta de oferta hoteleira. No passado mês de Março, a cidade recebeu a WorldSkills Portugal, o Campeonato Nacional das Profissões, que contou com 400 jovens altamente qualificados, transformando a cidade numa plataforma de competências. Toda esta gente foi dormir a Évora, por falta de oferta hoteleira na cidade.

Beja precisa de saber dar resposta a todos quantos nela se queiram fixar. Seja que sector de actividade for. Mais até do que esperar por receber propostas, seria útil a criação de uma “embaixada móvel”, e fora da cidade, que se antecipasse e chegasse aos potenciais interessados antes mesmo destes pensarem em Beja. Isto implica estudos de tendências de mercado empresariais e industriais. Há empresas que se dedicam exclusivamente a trabalhar nesta área. Chama-se “pensar à frente”. Chegar primeiro. É caro? Demora tempo? Seguramente que sim. Mas é um investimento que pode ser fundamental. Veja-se o exemplo do alto desenvolvimento turístico que Portugal vive desde há uns anos a esta parte. Não foi por acaso, nem tão pouco se ficou a dever a uma conjuntura externa mais favorável. Como alguém disse, houve gente que trabalhou muito bem, e durante muito tempo, para se chegar a este ponto de franco sucesso. E isso pode, e deve, ser um exemplo.


O Baixo-Alentejo vale a pena! – Quer comentar esta frase?

Vale. Vale muito. Pelas pessoas que tem. Pelas gentes que testemunharam um Portugal duro, austero e sem oportunidades, anterior a 74. Que quiseram acreditar que tudo iria mudar para melhor, mas cujas esperanças foram sendo goradas ano após ano, década após década. Toda esta gente, mais idosa, contribuiu com quase tudo o que tinha, e muitos pouco mais do que o seu trabalho braçal, a sua resiliência, de sol a sol, para o bem do País. Esse mesmo País não lhes pode virar costas. Nem a esses, mais velhos, nem aos seus filhos, muitos deles emigrados fora das nossas fronteiras, senão as do País, as do seu distrito. E tantos querem um dia poder regressar. Com os filhos que apenas já muito ao longe sabem que os pais, ou os avós, eram Baixo Alentejanos.

Por todas essas gerações deprimidas que tiveram de partir, ou não tendo sequer essa oportunidade não lhes restou senão ficar e esperar o que começa a fazer-se demasiado tardio. As oportunidades, os direitos, que justamente os restantes portugueses já experimentaram, ou começam a experimentar. Beja e o Baixo Alentejo não podem baixar os braços. Temos de lutar, unidos, independentemente de convicções pessoais e políticas, porque este é um desígnio demasiado forte. Sob pena de perdermos o berço e o lar das nossas famílias e da nossa história.

O Estado tem de terminar a A-26. Tem de requalificar o IP8. Mas também tem de olhar para todo o interior do Baixo Alentejo. Não basta dizer que se cumpriu Alqueva. Esse mesmo empreendimento foi projectado como uma das laterais de um tal “triângulo estratégico”, que compreendia ainda o Aeroporto de Beja e o Porto de Sines. Tudo isso tem sido desfeito. Sines cada vez mais desviada para norte, o Aeroporto apenas a muito custo, e com grande intervenção do Movimento BMM, começa agora a acordar da letargia.

O Hospital de Beja, mas o de Serpa, e o de Santiago do Cacém, e as demais unidades locais de Saúde espalhadas pela região não podem, pura e simplesmente, desaparecer para que, com esse desinvestimento se venha a financiar um mega hospital em Évora. Que está apenas a uma hora de Lisboa. Isto representa a total distorção geográfica do mapa nacional. A grande Lisboa conta com largo número de hospitais de grande porte em toda a sua periferia. Construir o mega hospital de Évora é redundar investimento do erário público. 120 milhões. E ao mesmo tempo significa desistir de Beja, Serpa, Sines, Portalegre, bem como do restante interior. Vai secar tudo à sua volta. Isso mesmo defendeu até à exaustão o anterior Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.

A linha electrificada é necessária de Beja a Lisboa, de forma directa. Mas também de Beja para a Funcheira. O comboio é um meio de transporte de futuro. Não poluente, rápido, seguro, fiável e confortável. A população está cansada das mentiras do Ministro do Planeamento e Infra-estruturas. Primeiro disse que haveria um investimento em material circulante bi-modal. Depois veio dizer que não seria para já. E finalmente afirmou que nem em 2030. E porquê? Porque se as políticas se mantiverem no caminho que está a ser seguido já não haverá na região gente com capacidade de luta em 2030. E assim poderá fechar-se a linha de forma mais descansada e com menos polémicas. E depois, o vazio. Mas uma coisa é certa: o Movimento BBM não vai parar a luta por Beja e pelo Baixo Alentejo. Venha quem vier, demore o tempo que demorar, juntos vamos conseguir! Beja Merece Mais! O Baixo Alentejo Merece Mais!

 

 

 

“Há uma via verde para o investimento em Beja”

Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja, é o primeiro convidado da Hall Paxis a pronunciar-se sobre a estratégia de desenvolvimento para o território do alentejano.

 

ALENTEJO, UM AMANHÃ REINVENTADO é a designação do projeto Hall Paxis, através do qual se pretende ouvir a opinião de autarcas, empresários, personalidades da cultura e de outros sectores estratégicos. Mostrar que vivemos numa região de futuro, com imensas oportunidades e potencialidades, e onde investir é urgente, paralelamente a uma alteração na forma de estar e pensar as empresas, a sua sustentabilidade e, consequentemente, a esfera de acção e intervenção do cidadão comum, será o objetivo desta iniciativa da Hall Paxis.

 

Eleito em outubro de 2017, Paulo Arsénio aceitou conversar connosco, tendo sempre sublinhado que estamos a viver no concelho de Beja, um momento de viragem de paradigma. Há empresas e investimentos avultados a chegar ao território e é anunciada a criação de centenas de novos postos de trabalho, sobretudo relacionados com o sector aeronáutico e com a indústria transformadora de produtos agrícolas. O presidente do Município de Beja salienta que todos os investidores interessados em fixar os seus negócios na região são bem acolhidos no Gabinete de Apoio ao Investimento, e fala na existência de uma "via verde" eficaz para novos investimentos no concelho.

 

Durante a entrevista conversámos também sobre a clara intenção de revitalizar o centro da cidade, através de projetos que assentam no arrendamento a novas famílias e sobre a necessidade de se ter uma oferta cultural que ajude a potenciar a presença turística.

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O atual executivo da Câmara Municipal de Beja colocou as matérias relacionadas com o desenvolvimento económico no topo das grandes prioridades da governança.

Nestes primeiros meses o que é que já foi possível realizar e começar a idealizar? 

Tenho a consciência de que a nossa estratégia precisará de melhoramentos. Estamos ainda longe de atingir os objetivos a que nos propusemos, como será compreensível. Mas não posso deixar de referir que o nosso Gabinete de Apoio ao Investimento está com muito trabalho e teremos que reforçá-lo em número de funcionários. Têm vindo ter connosco um conjunto de investidores das mais diversas áreas, com intenção de investir na cidade e no concelho de Beja.

Temos em carteira um conjunto de projetos aos quais teremos que dar resposta a curto prazo. Os casos a que me estou a referir relacionam-se, sobretudo, ao nível da procura de terrenos adequados e a preços não especulativos, de maneira a permitir a instalação de novas unidades industriais. Neste ponto de vista, estamos em condições de assegurar que dentro de poucos anos assistiremos a um salto quantitativo no emprego em Beja, fruto destes novos investimentos.

 

Este Gabinete de Apoio ao Investimento surge como um serviço que acompanha estas manifestações de interesse. Como é que funciona?

Serve para acompanhar individualmente e com recurso a técnicos especializados todas as intenções de investimento que chegam à Câmara Municipal de Beja. E, sempre que esteja disponível, o próprio presidente da autarquia recebe e acompanha esses putativos investidores. Eu diria que neste momento há quase uma "via verde" para o investimento em Beja. A grande maioria dos empresários sentem, ao passar pelos nossos serviços, que conseguiram estabelecer uma relação de confiança com o Município. Isso é que é importante. Desse ponto de vista, entendo que estamos a trabalhar bem, embora os resultados nem sempre possam ser visíveis de forma imediata, serão visíveis com o passar do tempo.

 

Que tipo de informação é que estes investidores procuram junto da autarquia?

Sobretudo, procura-se informação relacionada com a disponibilidade de terrenos. Temos tido contacto de muitos investidores disponíveis para a aquisição de terrenos a preços comerciais. Infelizmente, muitos deparam-se com os preços especulativos praticados pelos proprietários dos respetivos terrenos. No sector da aeronáutica isso é particularmente notório. Ou seja, sempre que há a possibilidade de se vir a instalar uma empresa deste ramo, por se verificar uma subida injustificada do valor dos terrenos. Esta situação faz com que os operadores sejam obrigados a estudar outras opções, podendo a opção final não recair no concelho de Beja devido à especulação.

A Câmara Municipal de Beja está a fazer o seu papel, identificando terrenos privados e públicos de forma a facilitar essa instalação, dando a possibilidade aos empresários de mostrarem que trazem projetos sólidos e que vêm para criar emprego.

 

Há uma bolsa de terrenos que pertencem ao Estado, nas imediações do Aeroporto Civil de Beja. A que prazo poderão vir aa esta disponíveis para a instalação de empresas?

Existe um Plano de Expansão do Aeroporto, com 39 hectares que são do Tesouro e que pertenciam à antiga EDAB (Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja) e que são do Estado Português. A Câmara Municipal de Beja está interessada em adquirir esses terrenos.

 

Seria importante  para regular o valor de mercado ?

Claro que sim. E além desses 39 hectares, existem mais 46 hectares que são propriedade de um particular, que poderão vir a ser importantes para empresas que se queiram instalar na zona do Aeroporto.

Depois, existe um conjunto de agroindustriais e comércio de vários ramos que se querem instalar em Beja, não propriamente na zona do Aeroporto, mas em parques industriais.

 

E temos reposta para essas manifestações de interesse?

Temos um parque que nos foi deixado de herança pelo anterior executivo, a Zona de Expansão Norte, onde vamos agora retomar as escrituras depois de as termos suspenso por falta de verbas para as infraestruturas. Neste momento concorremos a um aviso da CCDRA que nos permite aceder a verbas para infraestruturar nesse novo loteamento, com dinheiros da União Europeia, competindo ao Municipio de Beja uma comparticipação de 15 por cento dos dois milhões de euros necessários à obra. As escrituras que agora estamos a retomar com os empresários, referem que, caso não seja aprovada esta candidatura, serão os empresários a assumir 50 por cento do valor das infraestruturas, cabendo ao Município de Beja o investimento em falta. Nestas escrituras é consagrado o direito de reversão, ou seja, se a construção não tiver inicio no prazo de 24 meses e não terminar no prazo de 36 meses a Câmara Municipal de Beja tem o direito de voltar a adquirir esses terrenos.

 

Que projetos empresariais poderão vir a ser instalados nessa nova zona industrial? Falou em agroindustriais, mais especificamente...?

Acabámos de desbloquear todas as questões pendentes com vista à instalação, a título de exemplo, da Fairfruit. Este projeto estava a aguardar financiamento do IAPMEI, tendo sido concretizado no mês de Janeiro. Estamos a falar num investimento na ordem dos 14 milhões de euros e com a previsão de criação de 80 postos de trabalho.

Este será o projeto mais conhecido, mas depois temos também a Fertigal, um investimento espanhol relacionado com adubos. Vamos agora finalizar esta escritura com a cedência de mais 5 mil metros quadrados, que completam uma faixa de ligação à estrada. E vamos avançar, em breve, com mais duas escrituras de outros investimentos muito relevantes.

Ainda não posso identificar alguns dos investidores, mas permita-me que diga que vamos ter, naquela zona, investimentos muito surpreendentes para a cidade e para o concelho de Beja, estimando-se, para aquela nova zona industrial, a criação líquida de 250 novos postos de trabalho.

 

Está a referir-se à indústria da transformação, correto?

Estamos a falar do sector da transformação. São investimentos relacionados, sobretudo, com a transformação de produtos agrícolas, mas também existem investimentos relativos à metalomecânica e outros.

 

Quando serão visíveis os resultados práticos de toda esta aposta no desenvolvimento económico do concelho de Beja?

Acredito que os resultados serão visíveis nestes primeiros quatro anos. Vai ser possível assistir à concretização de alguns destes investimentos que nos irão deixar a todos agradavelmente surpreendidos. Acredito que vão começar a ser criados novos postos de trabalho efetivos.

 

O atual mandato começou da melhor forma possível, com a Hi Fly a anunciar um primeiro investimento em Beja. Qual é o ponto de situação desse investimento?

Nas primeiras três semanas de mandato reunimos três vezes com os responsáveis da Hi Fly, e o processo encontra-se em velocidade cruzeiro. O hangar está a ser construído em Inglaterra e as previsões apontam o inicio da sua montagem, em Beja, para os meses de Abril ou Maio. As previsões da empresa apontam para que a instalação fique concluída até ao final de 2018. Sabemos que a Hi Fly está a trabalhar de forma muito próxima com o IEFP, na tentativa de recrutamento de técnicos de manutenção de aeronaves, uma vez que necessitam de 150 profissionais. As pessoas a recrutar terão que possuir o 12º ano de escolaridade e ter conhecimentos de matemática e inglês, e é aqui, nestas habilitações, que os responsáveis pelo recrutamento têm encontrado algumas lacunas que dificultam o preenchimento das vagas existentes. A Hi Fly dará toda a formação técnica aos futuros funcionários que irão operar na manutenção de aeronaves, uma formação de 18 meses, dos quais os primeiros nove serão feitos em contexto de pura aprendizagem e depois começam a trabalhar diretamente nas aeronaves. Vamos receber, para manutenção, aviões Airbus A330 e A340.

Este primeiro projeto da Hi Fly é muito importante para Beja, por ser a primeira vez que os cidadãos do concelho, e também do país, vão poder compreender que o Aeroporto de Beja é um projeto viável. Não podendo ser um Aeroporto dirigido, sobretudo, ao tráfego de passageiros (que pode bem ser uma atividade complementar), é bom ver que estamos agora a dar os primeiros passos relacionados com a manutenção de aeronaves. As oficinas de manutenção de aviões poderão ser, a breve prazo, uma componente muito importante do Aeroporto de Beja.

Existe ainda a possibilidade de alargar a manutenção aos aviões A380, que é um dos maiores aviões do mundo e ainda a possibilidade de construir um segundo hangar. Tudo isto são investimentos projetados pela Hi Fly.

 

Numa entrevista recente anunciou a intenção da autarquia em requalificar um edifício na Praça da República para, posteriormente, os futuros apartamentos virem a ser colocados no mercado de arrendamento. Este investimento pretende trazer as famílias para dentro do centro histórico?

Estamos a falar, num primeiro momento, numa ação que decorrerá na Praça da República, mas que pode depois estender-se para outras artérias, nomeadamente a Rua do Touro, a Rua da Cadeia Velha e outras.

Na Praça da República, a ideia será intervir num edifício que foi doado à Câmara Municipal de Beja a meio do mandato anterior. Aquilo que esteve previsto era a criação de um grande centro de serviços, com a criação de 80 postos de trabalho. Nós deixámos cair esse projeto e candidatámo-lo à reabilitação para habitação no centro da cidade.

Nós entendemos que com serviços que encerram às 16 horas, as pessoas vão embora e deixam deserto o centro da cidade. Nós tencionamos devolver alguma vida ao centro histórico, procurando instalar aqui famílias. A tipologia de apartamentos prevista para este projeto não supera o T2. Estaremos a falar de estúdios, T1 e T2 para famílias não muito numerosas, a preços não especulativos. No fundo queremos dar vida ao centro, aumentando o número de pessoas que aqui vivem.

 

Com a sua chegada à presidência da autarquia, o Município começou a utilizar um novo slogan: Beja, o Centro do Sul. Quer explicar-nos este novo conceito...

É um conceito global. É um conceito de território em primeiro lugar, porque estamos entre Lisboa e o Algarve, estamos entre a Costa Alentejana e a fronteira de Espanha. Geográfica e objetivamente somos o Centro do Sul.

Do ponto de vista económico é a afirmação mais difícil, mas estamos apostados em crescer nesta área.

E depois, também, o Centro do Sul do ponto de vista da dinamização cultural, das nossas tradições, dos nossos saberes e dos nossos sabores. Queremos marcar uma diferença que seja qualitativa. Precisamos de nos afirmar pela positiva, com eventos diferenciadores e únicos que façam as pessoas vir a Beja.

 

Por falar em eventos diferenciadores, em Junho a cidade acolhe pela primeira vez o Festival B...

Já temos eventos que nos diferenciam. É o caso das Palavras Andarilhas, do Festival de Banda Desenhada, o FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo, entre outros.

O evento inovador que lançamos é o Festival B, que vai aliar vários patrimónios da humanidade num só evento que decorrerá, este ano, a 22, 23 e 24 de Junho.

 

Obrigada, Senhor Presidente.

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